21.12.13

A Prova Geral de Abcesso





Imagem do Kaos


Detesto repetir títulos, e acho que já escrevi um texto com este nome, mas não faz mal. fica à pala daqueles porcos, como o Catroga, que acumulam duas reformas, e ninguém lhes diz nada.

A verdade é que estamos a caminho do fim de 2013, e o país se transformou numa paródia, mas daquelas boas, de antigamente, misto de teatro de revista com "Casa dos Segredos". Economicamente, estamos a sofrer um  verdadeiro "milagre económico", já que parece que estamos a crescer às centésimas de coisa nenhuma, o que é um autêntico prodígio. A Banca está sólida e segura, e assenta na venda de Mirós de terceira linha, que um gajo, profundamente doente, Oliveira e Costa, comprava, com a mesma falta de gosto do Berardo. Parece que aquela merda vai valer 97 000 000 €, numa época em que se podem comprar Picassos por 100 €, o que deve fazer parte da Retoma. O Deficit subiu ao empíreo, e está, estavelmente, com todas as manobras de falsificação daquela figura de segunda ordem, Maria Luís Albuquerque, agente do agente da Goldman Sachs, Carlos Moedas, na zona dos 5,5%, de onde nunca sairá, como Keynes, ensinava, com a agravante de que deficits de 5%, no tempo de Maynard Keynes, estavam então associados a crescimento económico, e não à agonia de um estado nação, como o que está a acontecer a Portugal. Se recordarmos as centésimas de Vítor Constâncio, que andavam sempre por volta dos 6 vírgula oitenta e tal, o homem era um vidente e um profeta.

Todavia, uma das minhas razões de provocação natalícia é vir aqui saudar o novo partido político, que, desculpem-me o desabafo e a imodéstia é o partido político da minha vida, já que reúne tudo o que execro: os Gatos Fedorentos, a Pilar del Rio, viúva de profissão, e um gajo, que nem sempre escreve mal, mas "consta-se de que" tem uma formação académica arrelvada, "mestrado", sem "licenciatura", ou vice versa. Eu, como dupont et dupont, acrescentaria: nada de espantar, já que o Daniel Oliveira, o verdadeiro, até tem coluna no "Expresso". Para o ramalhete deste "partido" estar perfeito, só lá faltam a Clara Ferreira Alves e a Clara Pinto Correia, o Galamba, e, ah, sim, a Teresa Guilherme. Mal se coliguem com o "Aurora Dourada", lá darão os típicos 0.67% do M.R.P.P. Estamos, pois, de parabéns, e em contraciclo com as tendências europeias, que apontam para o neofascismo. Dado o perfil dos protagonistas, e pensando bem, talvez nem haja contradição...

Contudo, tudo isto são trocos, quando comparados com a Prova Geral de A(b)cesso, que nos deram algumas das mais excelentes imagens televisivas dos últimos tempos, só comparáveis com a invasão da escadaria das Cortes pelos polícias: falo, obviamente, dos professores em fúria, uma ira irada de uma classe altamente escolarizada, a chamar imbecil ao traste que lhe puseram como Ministro. Não vou perorar aqui muito sobre o Ministério da Educação, já que mil vezes repeti ser a pasta -- a par com a da Cultura -- de mais fácil ocupação, na Cauda da Europa: qualquer um pode, e, quando qualquer um pode, qualquer um quer, e lá vai.

Nuno Crato, um traste, educado no enveroxhismo albanês, sabe o que é "qualidade", já que a Universidade de Tirana, no tempo em que a Albânia era o paraíso na terra, tinha gerado alguns dos maiores intelectuais e académicos do séc. XX. Muitos ainda por aí andam, embora não se dê por eles, exceto pelo Nuno Crato, que, como o Senhor Santo Espírito, está presente entre nós. Duvida dos Politécnicos e das Escolas Superiores de Educação, e tem razão, porque a sua fêmea dá, ou lá deu, aulas.

Mas, melhor do que isso, muito se fala do "Eduquês", coisa que passa por ser a obra prima da criatura, e é texto que nunca li, nem lerei, pelo que, dado isso, e como é usual em mim, estou amplamente à vontade para criticar. Excluídos os reparos ortográficos que se lhe pudessem fazer, derivados da ainda não aplicação do Accordo Ortográphico, convém que nos debrucemos sobre a substância, já que nos é mais cómoda do que os atos.

Dado o anterior, na página 5, escreve o ogre, "Tampouco as ideias associadas à pedagogia romântica são novas", sendo que "tampouco" é uma forma reforçada de afirmar "nem" ou "também não". Assim sendo, e dada a frase anterior, existe um escusado esforço de estilo, que eu apodaria de assaloiado, já que a frase completa rezava assim: "O epíteto de «romântico», aliás, não é novo em pedagogia teórica. Vejam-se, por exemplo, os textos sobre a «escola centrada na criança» de G. Stanley Hall (1844–1924), professor de John Dewey (1859–1952) em Johns Hopkins, e de outros. Tampouco as ideias associadas à pedagogia romântica são novas", a qual, reescrita corretamente, de acordo com a linha ortodoxa da Prova Geral de A(b)cesso, deveria ser assim reformulada: "O epíteto de «romântico», aliás, não é novo em pedagogia teórica (DOIS PONTOS) Vejam-se, por exemplo, os textos sobre a «escola centrada na criança» (VÍRGULA) de G. Stanley Hall (1844–1924), professor de John Dewey (1859–1952) (VÍRGULA) em Johns Hopkins, e de (o "e de" é redundante, bastando escrever OUTROS...) outros. Tampouco as ideias associadas à pedagogia romântica são novas", pelo que passamos à reformulação, versão dois, invertendo a posição da partícula de objeção, "aliás", só para poupar uma vírgula, uma virgulazinha: "Aliás, o epíteto de «romântico» não é novo em pedagogia teórica; vejam-se, por exemplo, os textos sobre a «escola centrada na criança», de G. Stanley Hall (1844–1924), professor de John Dewey (1859–1952), em Johns Hopkins, e outros, do mesmo modo que não são novas as ideias associadas à pedagogia romântica". Dado o anterior, temos 4 erros de pontuação, um regionalismo associado a "tampouco", que pode ser fletido numa forma sintaticamente mais simples, e estilisticamente menos rebuscada. Digamos que o Crato cometia aqui 4 erros e 3/4, numa pontuação benévola, já que estou muito generoso, dada a proximidade do Natal.

Passando para a página 6, depara-se-nos o seguinte: "Vale a pena ler alguns dos documentos destes pensadores para perceber que a «escola nova» vai pouco além dessas propostas velhas", onde falta uma vírgula, já que o "para" introduz um segmento explicativo da frase. Estilisticamente, já que o eixo retórico, e argumentativo, assenta na antinomia entre "nova" e "velha", convém que se faça uma inversão da adjetivação, evitando que o texto assuma uma vulgaridade associada a "propostas velhas". No campo das ideias, como o sr. Nuno Crato deveria saber, não há propostas velhas, isso era do tempo da mãezinha dele, e referia-se a tentar baixar os preços em metadiálogos do baixo ventre, com a defunta Marreca de Monsanto, pelo que a frase, corretamente reescrita, digamos, reescrita no nível adequado de expressão de um Ministro da Educação e da Ciência de um país minimamente civilizado, deveria vir assim: "Vale a pena ler alguns dos documentos destes pensadores (VÍRGULA) para perceber que a «escola nova» vai pouco além dessas obsoletas posições", de onde, aos 4 erros e 3/4, anteriores, passamos para 5, por falta de pontuação, e acrescentado mais 1/4, por causa da disparidade do nível de língua, logo passamos a SEIS erros.

Ainda na página seis, encontramos mais um pouco do eduquês do traste: "Há ideias diferentes e muitas vezes contraditórias. Mas há, como veremos, um conjunto de ideias chave que foram defendidas umas vezes por uns outras por outros, umas vezes expressamente outras de forma subentendida e que estão subjacentes ao essencial do discurso educativo dominante".

Creio não ser necessário apontar que a falta de pontuação torna o texto confuso, já que há uma tentativa de explicação e de repartição de responsabilidades explicativas que tem de ser assegurada por uma adequada pontuação, e hierarquização: "Há ideias diferentes e muitas vezes contraditórias. Mas há, como veremos, um conjunto de ideias chave que foram defendidas (VÍRGULA) umas vezes por uns, outras (VÍRGULA) por outros, umas vezes expressamente (VÍRGULA) outras (VÍRGULA) de forma subentendida (VÍRGULA) e que estão subjacentes ao essencial do discurso educativo dominante".

Claro que isto das vírgulas precisa de explicação, embora pudéssemos passar, quase sem elas todas. Há a vírgula que surge, e tem de surgir, porque, entre o ator da frase e a ação elidimos o verbo actante, e há a vírgula que estabelece um seccionamento da parte final da frase, posto que ela não está conectada com a secção intermédia do exposto, mas remetida para um sujeito dominante, remoto, com que o parágrafo foi iniciado. Reescrita a frase, viria então assim: "Há ideias diferentes e muitas vezes contraditórias" (até aqui, deveria haver vírgula antes do "e", já que o verbo "haver" está a atuar simultaneamente em duas secções de igual importância semântica: "há ideias diferentes"/"há ideias muitas vezes contraditórias"). Então, assim sendo, "há ideias diferentes, e muitas vezes contraditórias. Mas, como veremos, há um conjunto de ideias chave que, umas vezes, foram expressamente defendidas por alguns; por outros, de forma subentendida, e que estão subjacentes ao essencial do discurso educativo dominante".

Pronto, creio que já chega. Como prometido, nunca li, nem lerei, o "Eduquês", pelo que estou plenamente habilitado para o arruinar, e bastaram-me duas páginas de escrita do Sr. Ministro da Educação e Ciência, o protoalbanês Nuno Crato, já que, tudo somado, temos SEIS erros de pontuação, mais CINCO de seguida. Se juntarmos a má estruturação sintática das frases, e sendo benévolos, dava DOZE erros, em duas páginas.

Parece que os probadores da prova provada reprovavam com dez calinadas.

Coisa injusta, com um "ministro" que dá doze, em duas páginas... É evidente que, feitas as contas, tal como ele as gosta de fazer, se, em duas páginas dá 12 erros, sendo o PDF dessa merda do "Eduquêsocupador de 14 páginas, suponho que, por uma regra de três simples, também conhecida por princípio da aplicação da proporcionalidade direta, se encontrei 12 erros em duas páginas, haverá um pressuposto de suspiro estatístico que me deixará supor existirem, nessas 14 páginas, 84 ERROS, o que é insustentável, para quem tutela a Educação, não acham?... Claro que a isto poderiam ser acrescentadas algumas pérolas, como citar, como referência, David Justino, o vereador do pelouro da educação, ou cultura, ou lá o que era, do escroque, Isaltino de Morais, o que já diz tudo, quase tudo, ou um pouco mais do que tudo, mas isto é o país que temos, e do qual, como diz o ilustre analfabeto, Passos Coelhos, devemos, e rapidamente, emigrar.

Nada mais quero acrescentar, desejando umas festas felizes a todos, e esperando um ótimo 2014... já sem Nuno Crato.


("Eduquês" é sinónimo de mandar o Nuno Crato levar delicadamente na peida, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")
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