12.1.13

Summa Theologica - Questão XXVI: "Se existem razões para retirar o "Zico" da lista de abate, e colocar, no lugar dele, o Carlos Moedas, e da natureza transubstancial dessas mesmas razões"




Imagem do Kaos



Uma das formas do multiculturalismo do séc. XXI é o modo  como a boca da servidão emprenha, e as diferentes formas de como essa mesma procriação continua a ser uma forma agravada de poluição do Mundo.
Há o Elton John, que faz a coisa às avessas: enquanto o fecundam a ele, há uma fecundada, paga atrás dele, ou nas suas costas, salvo seja, que fica encarregada de fazer o balão que a ausência de ovários nos intestinos lhe não permite a ele.
Há o Cristiano Ronaldo, que, sempre que sai da autocontemplação dos espelhos da clínica cara, onde a mãe da Infanta Leonor estica as pregas da anorexia, se vira para a barriga de aluguer, e lhe diz "vê lá se despachas isso, seguido de um "fuck you", com sotaque provinciano de balneário do Machico", e, finalmente, há Assunção Cristas, que cumpre o ato à maneira tradicional, com um "clap, clap" frontal, entre "ai, jesuses", com conta peso e medida, a dar razão ao saudoso Roland Barthes, que, nas suas "Mitologias" relembrava que, por mais ilustre que a fêmea fosse, não chegava ao limiar da dignidade humana enquanto não cumprisse a vassalagem procriadora.

No meio disto tudo, sem se saber bem como, aparece o "Zico", um cão proveta, daqueles que são enchidos de anfetaminas e estimulantes, e postos a correr, naquelas passadeiras rolantes, para queimar gorduras, e, depois, fechado numa cela, sem luz, nem comida, durante uma semana, para sair de lá, cego de instintos, e comer uma perna à primeira criança que lhe apareça à frente. A criança é qualquer uma, mas poderia ser melhor do que isso, se tivesse sido concebida de uma barriga de aluguer, a 1 000 000 €, do volátil e fútil CR7.

Teve azar, e não era, pelo que o português de Lineu, criado na superescola do Relvas, e nas claques de subúrbio da Lusófona, imediatamente lançou, "online", uma petição para o não abate do Zico (!).
Se a criança viesse da barriga de aluguer do CR7, certamente a petição seria de sinal inverso, e até eu assinaria. Todavia, como defendo que a tolerância é um dos valores da sociedade madura, suponho que a petição síntese, tal Hegel a ensinaria, após uma saudável dialética, seria lançar uma terceira petição, a favor do abate de todos os que assinaram a petição contra o abate do "Zico".

O cão era sereno, e só teve um repente, de repente, ao fim de oito anos. No caso do Renato Seabra, teve de esperar vinte.

Parecendo que não, a questão é metassocial, e algo transcendente, já que nos obriga a repensar o papel do cão nas relações entre raças, e o papel das raças, nas relações entre cães.

No princípio, quando o verbo ainda era verbo, e não aqueles gesticulares neuróticos do Professor Marcelo, o cão surgiu como o aliado das caçadas do humano livre: partilhavam a presa, e a mediação fazia- se pelo afeto. Foram ficando, e criaram uma das mais longas alianças da história da humanidade.


Falha de mais etapas de progresso, essa aliança enveredou agora pela narrativa da desumanidade: assim como os laços humanos se foram convertendo em arenas de genocídio, desprezo de valores e de um vale tudo sem limites, o cão passou de aliado a aliado da agressão do direito de existir do próximo, a chamada lei do cão mais forte, onde o cão que era dono prolongou o seu braço secular nas mesmas fauces com que o seu cão sem fronteiras decidiu erguer cortinas de ferro na proximidade dos afetos humanos.

Fui, durante muito tempo, amigo de um leão da Rodésia, um dos extremos desta perversidade de contacto homem/animal, mas, na verdade, apesar do convívio, ele, aliás, uma ela, nunca passou de leoa da Rodésia, e eu de um nefelibata, paciente da sua presença.

Se há hipóstase da lei da selva, os nossos tempos primitivos espelham-se no modo em como o nosso mais antigo aliado se converteu no mais recente risco para a segurança do nosso semelhante. Como se sabe, tem-se hoje um cão, não para pôr onde faz falta, mas para pôr onde faz vista, ironizando o nosso saudoso Sérgio, e descarta-se depois o bicho com a mesma ligeireza com que as goyescas portuguesas calçam aqueles matacões de 20 cm, para imitarem falsas louras, ou, sendo mais direto, falsas putas, à pala de uma falha genética do esplendor brasileiro da fêmea. 

Certos cães não existem, hoje, para estar perto de certos donos, mas, para, com a anuência de certos donos, obrigarem certos vizinhos a confinarem-se a fronteiras de mau convívio e quarteirões envenenados.

O fenómeno nada tem de novo, exceto o ter chegado cá com as décadas de atraso do costume. Brevemente, haverá um suplemento pseudo assético, do "Expresso", a tratar do assunto, num tom desgastado de alguma hemeroteca de um jornal de "banlieu" de Chartres, ou Berlim, e a inevitável análise estatística de mais uma manifestação de crescente estupidez humana.

Novidade, novidade, talvez só esta disputa entre o cão e a criança, uma forma fulgurante de mostrar como a impiedade das lotarias, o palco das lutas assassinas, e o despudor das correntes de opinião, que, realmente nos regem, mas, outra vez, hegelianamente, a nossa sociedade contornou o problema, empurrando-o para cima, e colocando, só à laia de exemplo, cães, capazes de fazerem o que o Zico fez à criança, nas bancadas da Assembleia "Nacional", onde pulula todo o crime que a imunidade parlamentar consiga apadrinhar.

Pessoalmente, acho que seria tempo de lançar ainda uma outra petição sobre a anterior, onde o "Zico", os donos do "Zico", os amigos do "Zico", os peticionários pelo "Zico", e os cães de crianças, na forma de parlamentados, travestidos de formas de Não "Zico", fossem todos para abate.

Eventualmente, estarão a perguntar-me onde cola o nome do Carlos Moedas no meio desta verborreia, o que, meus caros watsons, é relativamente elementar: o "Zico" arrancou um bocado de carne à criança; o Carlos Moedas é vultuosamente pago, pela Goldman Sachs e associações criminosas afins, para nos tentar arrancar a carne toda.

Suponho que, para marcar coerência nas suas manifestações de civismo, os apoiantes do "Zico" devessem lançar agora uma petição mais vasta, para impedir que o Carlos Moedas, cuja segurança está seriamente em risco, fosse abatido.

Pode ficar a ideia. É uma ideia. E uma ideia é uma ideia, uma ideia, uma ideia, uma ideia...

(Quarteto do "Zico", devias mas era ter arrancado as carótidas ao traidor da Pátria, Carlos Moedas..., no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal, no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")
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