29.10.12

Críticas construtivas são úteis

As críticas, quando positivas e construtivas são úteis porque estimulam a reflexão dos decisores levando-os a reanalisar os problemas e a dar as convenientes explicações que anulem a crítica maldosa ou a reconhecer que algo está menos correcto e é preciso estudar mais profundamente a questão para escolher solução mais adequada à realidade. Tudo se deve passar como na condução de meios de transporte rodoviários, marítimos ou aéreos em que as correcções da rota constituem uma preocupação constante.

Mas o ministro da Defesa, Aguiar-Branco, acusou os comentadores "de fato cinzento e gravata azul" de serem «adversário é tão corrosivo, tão arriscado e tão perigoso». Enfim, são palavras eventualmente «politicamente correctas» mas vagas e sem clareza, proferidas perante uma assistência formada no conceito de que as palavras ditas ou escritas devem ser «claras, precisas e concisas». A entidade seria mais apreciada se tivesse pegado numa crítica «corrosiva e arriscada» e a anulasse, usando esclarecimento compreensível, claro e preciso. As críticas servem para proporcionar aos governantes tal oportunidade.

Sobre tais as palavras, Marcelo Rebelo de Sousa «considerou que os membros do Governo andam “muito hipersensíveis” às críticas, fazendo-lhe lembrar os tempos dos Governos de Cavaco Silva em que se falava de forças de bloqueio».

Já em comentários de blogues deixei a ideia de que uma crítica ideal, para ser positiva e construtiva, deve ser concreta e seguida de uma sugestão, uma pista que nos mostre uma ou mais formas possíveis, viáveis, de melhorar aquilo que achamos mal.

Um professor, num curso especial pós-graduação, ensinava que uma crítica deve ser serena e começar por elogiar algo que seja bom, mesmo que seja uma coisa insignificante (por não se encontrar uma de fundo!) e depois dizer «contudo» (however)... e então começa-se a referir aquilo de que se discorda. Quando temos interesse em que se corrija o rumo das coisas, não podemos deixar de indicar soluções possíveis. E isto dá credibilidade à boa intenção e seriedade da crítica.

E nos assuntos sociais, colectivos, nacionais, que a todos interessam ninguém deve ter receio de apontar alternativas. É do conhecimento comum que os políticos só agem quando pressionados e isso tem sido comprovado por ocasionais recuos ocorridos após decisões criticadas por cidadãos, quer individualmente quer através de parceiros sociais. Em tais casos, não pode esquecer-se que a união faz a força. E essa união exige hierarquia, organização, regras (disciplina) e existência de método de trabalho. Para se modernizar uma cidade não basta demolir, são indispensáveis ideias, planos, projectos e esforço de construção.

Há que eliminar o erro o vício muito arreigado de os governantes e os autarcas se considerarem donos de Portugal quando, constitucionalmente, os donos são os cidadãos colectivamente que neles delegam para ser apenas mandatários do povo, com a missão de defender os interesses nacionais, das pessoas que representam.

Porém, a nossa atitude não pode limitar-se a críticas demolidoras, tem de haver ideias, propostas, indicação de alternativas. Temo-nos habituado aos orgasmos simplesmente eróticos sem finalidade de procriação! Devem evitar-se críticas arrasadoras sem delas surgir nenhuma ideia construtiva, viável, prática, com garantias de eficácia. Não é preciso imitar os tunisinos ou os egípcios, pois seremos capazes de agir positivamente, de outra forma mais adequada às nossas condições. Portugal merece a nossa dedicação edificante.

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23.10.12

Amanhã, soarão esplendores :-)


                                               

Imagem do Kaos

Não vinha com a intenção de escrever um texto técnico, mas há um tempo para tudo, inclusive para o Tempo.

De aqui a 30 anos, passaremos para a data mágica de 1143, altura em que um punhado de gente, com pouca terra, e descendendo de Roberto, o Pio, Rei de França, veio conquistar umas fatias de teritório, naquele no man’s land que separava a Cruz do Crescente.

Gosto de História, mas só por acidente sou historiador, e, perversamente, da Ciência.

A Idade Média Portuguesa é uma pequena e simpática épica local, que se esgotou, no dia em que os fortes cavaleiros descobriram que só lhes faltava cavalgar o Mar. A partir de então, numa estranha sina, que só se poderia comparar com a dos Fenícios, deixámos de ser um país, e passámos a ser um lugar de passagem.

O gene lusitano é estranho, porque está permanentemente marcado pelos índices da Partida.

Somos, por essência, um lugar de despovoamento, com os recém-chegados a sentirem, todos os dias, o “estranhamento” das partes desertas. Talvez por isso, tenhamos dificuldades em criar tradições, sobretudo, naquilo que a mim, enquanto intelectual, toca: cada um de nós é sempre um pilar deserto, que inaugura e finda uma genealogia. Como estátuas da Ilha da Páscoa, nós olhamos, solitariamente, em frente, aguardando que o Tempo, e o Vento e o Mar, nos façam tombar de face.

O problema do discurso intelectual é aquela necessidade, ou, se o quiserem, inevitabilidade, do nefelibata, e da sua teia de ideias, estar vinculado ao corpo de um tempo e de uma vizinhança, ou seja, a necessidade e o dever cívico de cuidar, pela elocução da escrita, daqueles, outros, cuja voz é mais frágil, ou inexistente.

Numa parceria, que derivou do enorme erro, -- The Great Portuguese Disaster -- e, mesmo, cataclismo histórico, que foi a reentrada da maior deformidade da III República, Aníbal Cavaco Silva, no tabuleiro de um jogo que já antes tinha condenado ao despedaçamento, avancei, com o “Kaos” naquilo que o futuro cunhará como uma afortunada osmose entre o pensamento visual e a insurreição do texto.

Enquanto Cavaco assistia, e alimentava, a destruição económica, financeira, agrícola, judicial, moral, ética, cultural e, mesmo, física de um secular trajeto histórico, passaram-nos, pela frente, os desastres sequentes do que foi o seu neosalazarismo, dos anos 80 e 90, já nas figuras de Milénio de Sócrates e de Passos Coelho. Se tivesse havido um Presidente, nesta enorme sede vacante que é a fase crepuscular da III República, nunca Sócrates teria destruído o que destruiu, nem Passos Coelho, um produto de vaudeville, teriam podido alcançar a suicida massa crítica que atingiram.

Enquanto o país se desfazia, Cavaco macho e fêmea, inauguravam presépios atrás de presépio, com os lencinhos do adeus, de Fátima, a dizer, sejam bem-vindos, no vosso horror continuado.

Acabámos a ver o solzinho e a dívida externa, a dançar.

Enquanto a paródia se desenvolvia, ambos satirizámos, com garbo e furor, por imagem e palavra, todo este festival decadente.

Por inerência, o humor, a ironia e o tremendo sarcasmo têm, sempre, por alvo aquilo que consideraríamos um ponto singular no tecido social, ou seja, numa geometria de referenciais convencionados, o alimento do rumor da imagem e da escrita seria sempre a anomalia balizada e incarnada em alvo. No momento em que a plateia de valores se dissolve e a anomalia se generaliza, há uma dramática confusão entre o alvo e o atirador, ou seja, como em Matrix, já não é possível lutar contra uma multidão de Mr. Smith, porque todos se converteram em Smith.

O salto seguinte, para o qual, em vários emails pessoais, adverti os críticos e criadores da Blogosfera, nos quais me incluo, era o risco de, nós mesmo, começarmos a incarnar Mr. Smith.

Num retorno à Poética, de Aristóteles, e à sua catarse, cada vez mais atual, no presente momento de deriva, o empenhamento no perfecionismo da forma visual ou panfletária, das imagens do “Kaos”, ou das “farpas”, ou “breves” do “Arrebenta”, e, ainda mais, na sua potenciação simbiótica, podia, pode, e cumpriu, durante algum tempo, o tempo útil, eventualmente o tempo mítico, de servir de patamar catártico intermédio, impedindo, por uma sublimação e aculturação sociais, que a violência imediata, e no limite, mortal, se diluísse na gargalhada e no vernáculo, que a liberdade da linguagem literária sempre permitiu.


A sociedade portuguesa, num estado de adiantada putrefacção, correlato da decomposição do Ocidente e de todo o sistema mundial de padrões ditado pelo Iluminismo, como Mauro Sampaio resumiu, numa recente e memorável intervenção televisiva, não passa, presentemente, de um cenário de entrecruzamento de sórdidos interesses, regidos por mafias, infiltrados da Maçonaria clássica, novos criminosos da Opus Dei, fundamentalistas, neofascistas e neoestalinistas, braços e agentes de todo o tipo de mafias, portuguesa, italiana, romena, russa, búlgara, turca, chinesa, angolana, e de todos os subprodutos párias da fase terminal do Capitalismo, na sua forma futebolística de circenses sine panem.

Curiosamente, uma comunidade globalizada, não se conseguiu, termodinamicamente, equilibrar num ponto ótimo, mercantilista, antes, muito para lá dos piores pesadelos marxistas, estagnou em monopólios de extorsão locais, regidos por gente abaixo de qualquer sistema de valores.

Este sistema, mantido por constantes fontes de intoxicação social, impede-nos, pelo ruído de fundo, de aceder a qualquer informação de qualidade, antes a substituindo por constantes versões atenuadas, ou, cada vez mais assumidas, de mentira. Ao acaso, e por que o tema me enoja profundamente, poderia tomar como referência o Estripador de Cantanhede, que uma cultura abissalmente gangrenada viu, por cá, tratado em cordões humanos de solidariedade (!), com mães chorosas, e padres a navegarem na apologética do inconcebível, revistas cor-de-rosa a defenderem o indefensável, para, subitamente, debaixo dos holofotes do pragmatismo anglo-saxónico, vermos emergir a verdadeira face daquilo que nos representa, e envergonha, lá fora, uma sociedade alicerçada na falsidade, no oportunismo, no anestético, oscilando entre pulsões pedófilas e gerontófilas, para terminar em vinganças sangrentas de um disforme mental, que, como milhares de portugueses, não suporta a sua estrutura sexual, e envolve o nome de Portugal numa  escabrosa história de estripadores e canibais, que vão beber sangue humano (!) num hotel de luxo de Nova Iorque.

À sua limitada maneira, tal Cavaco Silva, ou Teresa Guilherme, Renato Seabra é um epítome daquele não ser profundo, que, doentiamente, vai assassinando o que de melhor havia nos melhores de nós mesmos.

Nas sociedades em crise, o Humor sempre foi um espaço de distensão. Nas sociedades em agonia, o próprio espaço do humor e da satirização é ocupado por peões do Sistema, que bem sabem o peso crucial desses limiares na manutenção de lençóis sociológicos de não rotura, e aqui chegamos ao ponto crucial, que foi a ocupação dessas fronteiras, reservadas à purga do status quo, por figuras oscilando entre o menor e o minúsculo, servidas em doses industriais, e no tempo mais eficaz, para produzirem um efeito de aculturação e domesticação, que me atreveria a designar por iliteracia do humor, onde a própria gargalhada foi condicionada e restringida a fronteiras e temas minuciosamente estudados, de modo a não provocarem um desmoronamento do edifício.

Um medina carreiramento, para começar pelo topo, até descer a vários exemplos de base. Não sei enumerá-los, porque não os frequento, mas posso dar os exemplos clássicos da mediocridade dos “Gatos Fedorentos” e do chiqueiro dourado da Clara Ferreira Alves, entre tantos.

Ao contrário destes lugares regiamente pagos, para fazerem a extorsão do riso e da sátira, o insuportável de figuras como o “Kaos” e o “Arrebenta”, ficções de sucesso e de transmissão, foi o de nunca serem reintegráveis, recicláveis, assimiláveis ou assalariáveis, pelo Sistema.

Apesar de sobressaltos de percurso, nunca houve qualquer intenção de capitalizar, tornar rentáveis, ou a soldo, ou, pior ainda, constituir formas de ocupação, ou substituição, do Poder, ou, ainda mais baixo -- o topo da base de tantos -- de pretender integrar as plataformas de intoxicação social, através de uma capelinha dos reformados, só deus sabe, nalguma coluna de algum pasquim do Sistema, ou num tempo de antena de uma televisão dos grupos correntes de genocídio do pensamento e da expressão.

A História está recheada destes exemplos de não normalização, cujo custo foi sempre a de uma enorme penalização do eu humano do criador.

Entre “Kaos” e “Arrebenta”, parce que la rose est sans pourquoi, a intenção foi sempre, e sistematicamente, a de talhar a mesma frase, o clássico, "olhai, porque o rei vai nu!...", e esperar que o público a repetisse, em uníssono e cada vez mais alto.

Passamos aqui dos sistemas para os meta sistemas, porque, nesta meia década de bombardeamento diário e sistemático, o indivíduo, como Proteu, foi-se metamorfoseando. Um dos derradeiros momentos de glória de profanação dos velhos alvos, foi real, pouco presenciado, mas épico, quando a caríssima Priscila afrontou esse cancro reles da III República, Maria de Lurdes Rodrigues, para lhe arrancar, perante uma plateia estupefacta, que, para esse ogre da Sociologia, só existiam duas profissões, o “Médico” e o “Engenheiro” (!). Talvez quem acabou de ler estas linhas perceba agora a lógica sectária e fundamentalista com que a sociedade portuguesa foi ultimamente tratada, entre esta ciência flácida, e outra, não menos flácida, a Economia, onde um fracassado, que depois de uma ruína académica, decidiu tornar todo um país numa experiência falhada de um momento histórico crucial.

A questão é que ascendendo, ou seja, passando dos referenciais onde estas figuras são, ou foram cimeiras, para os meta referenciais, em que não passam de peões, como nos alerta o terrível texto de Luiz Carvalho -- que lhe dá a autoridade, por ter frequentado os meandros do “Expresso”, com todas as suas maravilhas e horrores -- há uma estratégia de genocídio adotada, e, desculpem-me a tecnicidade do léxico, essa estratégia obedece a uma topologia própria, simultaneamente animada de uma cinemática e de uma dinâmica idiossincráticas, cujo objetivo fulcral é a manutenção das estruturas, e, inclusivamente, das personagens, entendidas como eternas, e o seu cenário como o Fim da História.

Neste sistema dinâmico, cujas pontas estão nas mãos dos tais “muito poderosos”, a variedade social, S, ainda que dinâmica, pretende-se “estruturalmente estável”, ou seja, se para cada área limite, envolvente do tempo e do evento X se conseguir, permanentemente, encontrar um X’, sequente, que assegure um homeomorfismo, h(x), de S sobre si mesma, que transforme todas as trajetórias de X numa trajetória inclusa do tipo (M,X’). Topologicamente, e de uma forma tendencialmente laplaciana, o campo dos diferenciais, entendido como a envolvente global de todos os potenciais identificáveis sobre a variedade social, S, deve, assim, reger-se pelo gradiente grad V, assumindo-se que a função V é monótona crescente. Ora, em forma de crítica, o laplacianismo implícito nesta monotonia crescente deixa imediatamente supor uma meta estrutura monstruosa, cuja entropia fosse deliberadamente potenciada, e determinista, embora, anomalamente “estável”, porque, escatologicamente, os senhores sensores desta aberração socio topológica sabem que, no final do percurso, existe uma singularidade morfológica, que corresponderá ao fim do Fim, na forma de catástrofe, e estamos aqui em pleno Thom, ou, mais simplificadamente, numa máquina de Zeeman, onde o elástico subitamente se distenderá.

Em toda a História, estes momentos chamaram-se Guerra, e levaram a indetermináveis genocídios.

Estes monstros da sombra, imersos no seu “Matrix”, estão a ousar uma coisa que Mandelbrot, ou qualquer teorizador do Caos, desde Lorenz, ou, mesmo, do antepassado, Poincaré, sabem que não é possível, e, se o colapso das bolsas, apesar de suportado por uma modelização insuficiente de, digamos, por alto, um aparato de 36 sistemas simultâneos de equações diferenciais, a tentarem simular, em tempo real, as oscilações de humor dos valores das ações, não funciona, ou funciona pela glória e colapso de atratores locais, o que as volta a remeter para o que sempre se temeu, o caráter aleatório das variações; se o colapso das bolsas não lhes chega, que dizer, então, sobre a bateria de simuladores diferenciais, que fornecesse um modelo adequado aos gradientes e ao devir de uma população imprevisivelmente amordaçada pela ameaça de fome, ruína e desespero de esperança?...

Nessa lógica, o custo da entropia, com evicção de uma morfologia de rotura levará, inevitavelmente, ao colapsar dos elementos mais frágeis, o que, socialmente, corresponderá a um genocídio regulado, ou orientado, em que cada um se tornará no canibal de cada qual, por alimentação de velhas categorias aristotélicas, que o Marxismo elidiu, e pelo qual falhou, já que ninguém defende com mais força senão o que é sua propriedade, e a colisão social está, neste momento, a ser sistematicamente alimentada por aquilo que chamaríamos um gradiente de inveja, por focalização desregulada em pseudo exemplos de evidenciação, elidindo os verdadeiros poderes de sombra, e lançando as bases numa chacina social, sob a forma de uma guerra civil consentida, entre o que nada tem, e aquele que um pouco mais detém, para mais, assimilada como justa e inevitável.

O sinal de que essa hora chegou foi o súbito e brutal dispensar dos agentes que contribuíram para a intoxicação social, atacando indiscriminadamente os veículos jornalísticos, a soldo, ou estrangulados pela impossibilidade de transmitir a verdade.

Num termo que faz furor na Academia, a miscenização, de algum modo entre a imagética do “Kaos”, ou o estilo próprio do “Arrebenta” -- que, aqui, voluntariamente, e ironicamente, quer na forma, quer na extensão do texto, contornei -- passaram a integrar o léxico, a gramática e mesmo a retórica dos movimentos de insurreição, que invadiram as nossas ruas. Se, defronte de Belém, foi divertido, subitamente ver, a emergir, nas televisões, as caras físicas dos eternos insurretos do “Braganza Mothers”, o “Kaos”, a bater na sua panela, a "Kaotica", cheia de panfletos, como uma fúria florestal, a Isabel, como uma pantera, a tentar devorar a câmara, o João, de estandarte na mão, enquanto o meu próprio autor se rebolava de gozo, no meio da multidão, a ver um cartaz, gigante, com o SEU ataque do Cavaco a ser ferozmente esticado para os jardins de Belém, depois de já ter mandado, na Rua da Junqueira, para a outra parte, a concubina do Relvas, uma boca da servidão com metade da idade do seu cobridor, e completamente indignada com aquela interpelação de plateia, meu deus, que glorioso é ver agora, assimiladas pela luta da multidão, imagens, por toda a parte, concebidas “à la manière” do “Kaos”, ou a Assembleia da República, os deputados, os Ministros e os comentadores a integrarem, como o crescente vociferar da turba, tanta da linguagem vernácula do “Arrebenta”, mas, agora, naquele tom fatal, que nunca quisemos, e por isso, nos retiramos para o repouso de uma certa retaguarda.

Não podemos incorrer no risco de fornecer ao inimigo mais armas, para este canibalismo que estiveram a preparar. Deixamos, voluntária, e atempadamente, de ser catárticos, e de servir de patamar de sublimação entre os focos do horror e a crescente vontade de os exterminar.

A luta agora tem o nosso estilo, mas os recursos dessa luta são, hoje, infinitamente mais vastos do que os nossos, que sempre foram criação artística de imagem e afinamento do texto. 

Que maior prazer do que ver os piratas informáticos a invadir esse coio de opressão que é o Patriarcado do Fundamentalismo Cristão, com uma imagem de estilo, a que só faltava a assinatura do “Kaos”, embora dele já não fosse?... Suponho que isso seja a Eternidade, se maior elogio não lhe pudesse fazer...

Todavia, há um tempo para reinar e há um tempo para abdicar.

Os próximos meses serão cruciais, mas a rua já absorveu a lição e a linguagem própria da insurreição. Como já perceberam, para estes autores, e por mim falo, por esta linguagem que estão a estranhar, estou compltamente... noutra. O “Arrebenta” é um divertimento de uma personalidade bem mais vasta, que, neste momento, está entediada de escrever à… “Arrebenta”. Acontece, e aconteceu, tanto a mim, como ao ser humano, que existe por detrás do mítico “Kaos”. Imaginem o quanto me pode interessar uma cavalgadura, como Miguel Relvas, quando estou a olhar para um denário de Juba II, da Mauritânia, o afortunado esposo de Cleópatra Selene, filha de Cleópatra VII e de Marco António...

A hora é, agora, de reflexão, e de silêncio, um silêncio terrível e gritante, que se está a multiplicar por todas as vozes que não mais largarão as ruas.

Esta é uma pausa que durará até que sintamos a vontade de reentrevir.

O “Kaos” já tomou a decisão de repousar, e, com ele, o “Arrebenta” também aqui começa a hibernar, porque é cessado o tempo preparatório das imagens e das palavras.

Neste momento, já passámos para o patamar do Mito. Talvez regressemos, mas a luta, agora, é integralmente vossa, porque é chegada a hora da Ação.

Amanhã, certamente, soarão esplendores. :-)



(Quarteto dos esplendores, como “Gran Finale” do “Kaos” e do “Arrebenta”, no “Arrebenta-SOL”, no “Democracia em Portugal”, no “Klandestino” e no eterno “The Braganza Mothers”)



19.10.12

Islândia é um caso a estudar

Sr Passos, passe os olhos pelos artigos linkados e mande estudar a solução que a Islândia aplicou no combate à crise. Claro que é preciso coragem, moral e patriotismo!!!

 «O governo caiu e o primeiro-ministro de então começou a ser julgado por negligência na gestão da crise. Os contribuintes recusaram pagar a factura dos bancos. Resultado? Menos de quatro anos depois, a Islândia volta a ser notícia por motivos diferentes. A crise parece já um pesadelo passado

«A Islândia, que se candidatou à entrada na União Europeia, é descrita pela agência de ‘rating' S&P como uma economia próspera e flexível, capaz de ultrapassar as maiores dificuldades e proporcionar um ambiente mais favorável à criação de emprego e ao crescimento económico.»

«A economia islandesa, a primeira ser resgatada após a crise de 2008, baixou a taxa de desemprego de 12% para 5% em dois anos

«"Fomos o primeiro a cair, mas também somos o primeiro a sair da recessão. Se há uma lição a tirar da recuperação islandesa é que a austeridade, por si só, não funciona".»

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Comunicar com objectividade

Se o aparecimento de responsáveis políticos nos órgãos de comunicação não for para comunicar com verdade, clareza e precisão, pode tornar-se perda de tempo, propaganda ou pantomina de diversão.

«O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, criticou nesta quinta-feira os anos de governação socialista e acusou o PS de ser o responsável pelo Orçamento do Estado que o Governo apresentou na segunda-feira ao país.»

No momento actual, nada adianta estar a tomar culpas aos causadores da crise. Esses deveriam estar a contas com a Justiça se ela funcionasse. Os actuais governantes é que têm responsabilidade de resolver todos os problemas agora existentes e procurar, para eles, as melhores soluções. Foi para isso que nos pediram o voto. É para isso que lá estão.

O nosso papel de eleitores e contribuintes deve ser a crítica civilizada e construtiva para os pressionar a reparar aquilo que não está bem. Um político, por norma, como ser humano, é avesso à mudança, às alterações, e preguiçoso e, diz a experiência que, nada fará se não for pressionado e empurrado.

O nosso dever é estimular a sua acção para defender os interesses nacionais e melhorar a vida dos portugueses. Fazer isso não é ser do contra, nem revolucionário, é ser patriota, amigo de Portugal.

O ministro da economia, mostrou grande incompetência ontem por ter dito mal do governo anterior, já saído há quase ano e meio, em vez de mostrar obra feita neste já largo tempo de governação do actual Governo. Ou será que, ao fim de todos estes meses, não tem resultados a mostrar, de que se orgulhe? É pena ver políticos no poder a perder tempo fazendo guerras partidárias, em vez de falarem dos reais problemas que afectam os portugueses. Em momento de grave crise, todos os esforços devem ser orientados para atrair todos os sectores a colaborar na escolha das melhores soluções com consenso alargado, a fim de serem obtidos os melhores resultados para bem dos portugueses. Lutas partidárias não são, neste momento, o que o país mais precisa nem são patrióticas. Façam e digam os resultados, mostrem as razões que os levam a tomar cada decisão. Tal informação, com verdade, transparência e objectividade, é que deve ser o tema das suas palavras em público, para conseguir a maior convergência de esforços.

Essa é que será a mais eficaz propaganda que os eleitores gostarão de ouvir.

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17.10.12

Agora mostrem quanto valem !!!

Em época de o ministro das Finança levar muita pancada, vinda de variados sectores, inclusivamente da Coligação, ele teve uma atitude de rara ousadia na nossa viciada política, desafiando os deputados a proporem cortes na despesa do Estado.

Esta atitude vem recordar-me os tempos de rapaz em que se usava a expressão «não és homem nem és nada se não reages ao desafio». Espera-se que os senhores deputados, principalmente os da oposição, aceitem este desafio e evidenciem o seu valor, a sua moralidade, o seu patriotismo e não deixem de indicar ao senhor ministro as soluções tão faladas, e que não exigem invenção, pois basta ir aos países nórdicos e adaptar ao nosso País as soluções que lá usam.

Só para uma pequena sugestão: cortar a quantidade de deputados, de assessores, de especialistas, de consultores, de apoios a fundações sem utilidade indispensável ou mal geridas, de observatórios não absolutamente necessários, de comissões, de grupos de trabalho, de empresas públicas, de contratos com PPP, dos carros de deputados e de outros servidores do Estado, de municípios, de freguesias e de muitas e diversas mordomias e outras despesas não directamente contributivas para o bom funcionamento da máquina pública e para a vida dos portugueses, etc. etc.

E não esquecer de legislar para reduzir a burocracia ao mínimo indispensável, para combater eficazmente a corrupção, o tráfico de influências e o enriquecimento ilícito, etc.

Na verdade, este desafio não pode ser desprezado por deputados patrióticos que queiram mostrar a sua dedicação ao interesse nacional, como deve ser seu apanágio. Não lhes falta campo para dominar a bola que lhes é passada e a devolver à baliza de Vítor Gaspar.

Ficamos à espera de saber se são homens para isso…

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A Educação de Gaspar






Imagem do Kaos, com uma dedicatória de profundíssima maldade para a  semirâmica Karocha




Quando a identidade nacional se dissolve e as fronteiras do Estado são sabotadas do interior, é bom que se faça um apanhado das poucas coisas seguras que nos restam. Lamento dizer, mas também essas são hoje poucas: a virgindade da Senhora de Mota Amaral, que também podia ter sido transladada para a "virgindade do António Calvário", e nunca se saberá por que escolheram um e não outro, mas a sabedoria popular dirá que um "teve sorte", e o outro "teve azar", embora eu agora até duvide de que o Cardeal Patriarca o seja, porque, naquelas noites de desvario, em que um homem é homem, deva ter papado alguma freira, de hábito arregaçado, no meio de muitos ai jesus e valha-me deus...; o facto de, depois de a irmã Lúcia ter deixado de segurar o Mundo, o fardo ter sucessivamente passado para a Serenela Andradre e acabado, por exaustão, na corcunda da Teresa Guilherme -- um beijo, para ela, que essas coisas da tiróide são terríveis: têm-se em velha e deixam marcas para toda a juventude --; a pele estragada do Cristiano Ronaldo, a inocência do Carlos Cruz, e a culpa perpétua do Vale e Azevedo (que é culpado, porque era "chic", como, repito, jura a Conceição). Temos mais alguns pequenos pilares, como as fotos de Renato Seabra, a beijar as cáries de Carlos Castro, quando ainda pensava que a "Gordurosa" o podia meter na RTP, mas foi depois "desenganado", apesar dos sucessivos avisos de Pedro Granger; a ideia de que o Seguro ainda segura alguma coisa, ou o mito de que  o Vítor Gaspar fala devagar, por ter um QI muito elevado.

Tudo o anterior é irrelevante, exceto Vítor Gaspar, uma anomalia técnica do sistema de referências português, típico de uma época de equivalências "normal", para o anormal do Nuno Crato, que, por analogia, está para o Relvas, como os lindos olhos de Mariano Gago estiveram para o diploma de Sócrates. Para mim, completamente analfabeto nessas coisas académicas, creio que essa seja a diferença entre o "Major" e o "minor": um tinha um diploma a que faltavam umas cadeiras; o outro tem umas cadeiras, a que falta um diploma inteiro, mas tudo bem, já que, para o grau de iliteracia dos gentios nacionais, ter qualquer coisinha faz de qualquer um um qualquer doutor, e, de qualquer um doutor se pode chegar a Primeiro ministro, para, muito mais facilmente, se descender depois a um qualquer ministro, e por aí abaixo, até acabar nos estertores do "Eixo do Mal", ou da "Casa dos Segredos".

O Português, que reage por emoções primárias, quer nos urros do Futebol -- que se confundem com os urros do orgasmo de montar a Maria, a pensar no Mourinho -- é particularmente sensível à "dificuldade", seja a de não perceber uma linha do pós camilismo putrefacto da nonagenária Agustina, ou de achar que o Gaspar fala lento, e arrastado, não pelas carteirinhas estafadas dos antidepressivos, mas pelo lastro de um pensamento. Resumidamente, o que é difícil é bom, e o que não se entende, por extensão, ou, matematicamente falando, por extensão dos limites laterais, em Rn, se não for mesmo inteligível, é excelente. Para mim, ele fala devagar, só porque tem tomates de chumbo, e isso pesa-lhe até à boca.

Um dos problemas do nacional porreirismo do politicamente correto é a incapacidade de gritar que o rei vai nu, porque pode parecer mal, mas o Gaspar é o típico gajo que, a enrolar assim, numa sociedade crítica e com algum humor, imediatamente apanhava, por detrás, com um bolo de creme nas queixadas, e, acreditem, até era capaz de continuar a perorar, com as fuças cheias de chantilly, como a Cavaca Velha, enquanto a Luísa, grita que grita, com a bandeira mal hasteada, marcava, em 5 de outubro, o dia final do fim do Regime. Consequentemente, como ninguém se lembra de afirmar que o gajo está em puro delírio, há hostes e hostes de comentadores de bancada que dizem, já agora, deixa lá ver.., o que se insere no espírito titaniquesco que também ideossincratizou alguns momentos cruciais da nossa identidade. Quando acordarem, já estarão na fase das relíquias, portanto, não contem comigo.

Também não contem comigo para mais: a primeira, na sequência do anterior, para ficar a ver se deixa lá ver..., porque já há muito tirei o retrato ao Gasparito de la Nuit, e já o excluí do baralho, de maneira que se podem entreter com as vossas punhetas de mamas, porque eu já não estou nem aí; a segunda, com a tal história dos portugueses todos unidos para..., porque eu só estarei unido com, e para... pôr esta gente toda na rua, e toda é... sem exceção; a terceira, um tal de "Movimento Branco", que quer voltar a entregar à Múmia de Boliqueime a oportunidade de destruir o que já destruiu, ao longo de 20 anos, e, aqui, chegamos a outro ponto de viragem: a crise constitucional absoluta, que marca o fim do regime, e que corresponde, simultaneamente, à inexistência de um Chefe do Estado, assim como de uma Assembleia da República, que, há muito, não exerce a função para a qual foi constituída, a de LEGISLAR, mas antes serve de rançoso "subwoofer" das gangrenas absolutas que destruíram a tentativa de autonomia democrática da defunta III República.

A cereja do bolo foi a necessidade do Gaspar afirmar que tinha "educação", e eu respeito-o, porque, quando alguém se senta ao lado do Relvas, e depois o incumbe de ir entregar à Suricata da Assembleia "Nacional" a Proposta de Extorsão Orçamental 2012/2013, torna-se suspeito de, também, carecer de, enfim, abandonemos o polissémico "educação", e adotemos o termo mais arcaico de "instrução". Eu, por exemplo, tinha uma lacuna na minha instrução, porque ainda estava naquele engano de alma ledo e cego de ter a acreditado que tinha sido a Laura Diogo a ser rebentada, quando, e de aí a dedicatória, a rebentada tinha sido, pasmem-se, a própria Padinha, a quem rebentaram com a peidinha, e não vou desenvolver mais o tema, porque todas elas se tornam sérias com a idade, e ainda me podiam acusar de estar a insinuar que, depois de termos tido um país governado a partir das sucatas, tínhamos agora uma Confraria das "Doce", na forma de refustedo angolano fora de época, cala-te boca. Axiologicamente, mas apenas como nota de rodapé, não se devem espantar com o facto, porque os portugueses, de facto, não gostam de mulheres, suportam-nas, ou odeiam-nas, já que, desde o nosso imaginário medieval, a boca da servidão se confundiu com a górgona, deita chamas, ou é uma ameaçadora boca de pescada, com dentes aguçados e odor de bacalhau, o que é lindíssimo, enquanto cultura, e deixa entrever uma espécie de "Casa Pia" à escala global, mas isso fica para um próximo texto, já que o que me trouxe aqui foi... a educação do Gaspar.

Indo, como qualquer analfabeto normal, à "Wikipédia", por lá reza que o Vítor Gaspar é primo coirmão do Louçã, cabeça de lista do P.S., nas próximas Legislativas antecipadas, e que começou os estudos tardiamente, ou, mais propriamente, que os estudos lhe nasceram, como Baco, da coxa de Júpiter, já na forma de Eminência Parda de Economia, da Católica, onde o "enorme esforço" das propinas foi para uma privada, para acabar na Nova, num percurso que toda a gente conhece, mas, em nada se compadece com a brutalidade das propinas hoje praticadas, ou, trocando por miúdos, muito deu ao Privado e bastante sacou do Público, pelo que a sua educação deverá ser considerada como uma forma precoce de parceria público-privada.

Para que não digam que quero desfazer o homem, pelo qual nutro um especial carinho, e que, prometo, irei ajudar com um ombro amigo, quando o Portas lhe tirar o tapete -- Relvas, escusas de insistir na história dos sanitários do Piso 2 do Fórum Picoas, porque essa já não pega, e tenta, antes, investigar uns levantamentos apressados nas penumbras do "Cinebolso", embora te garanta que quem se escaldou como vocês o escaldaram já não se escalda com mais coisa nenhuma, e ainda corre o risco de ser levado em ombros, se decidir atirar o "Clube das "Doce" de Angola" para... Angola :-) -- vou fazer uma pequena viagem no tempo, vir mais atrás do Padre António Vieira, e passar pela adolescência, de onde vêm aquelas olheiras profundas, explicadas em qualquer tratado de saúde pública, do positivismo do séc. XIX, como manifesto abuso de onanismo, com 10 000 000 de mirones a ver, e cair na educação primária, aquele colégio, lembras-te, onde já eras embirrento, caprichoso e antissocial  Como Freud diz, esses são os anos mais importantes, e levaram-te a uma carreira de naufrágio, teimoso, obsoleto e suicida, mas é agora que ele se vai vingar das humilhações da infância, lixando os contemporâneos, os filhos, e, até os netos. Para mim, mais pragmático, a educação do Gaspar tinha-se resolvido com um par de estalos, atempadamente aplicado, na primária, no básico, no secundário, na universidade, no doutoramento, estalos atrás de estalos, até apreender que a teimosia não é uma das virtudes sociais. A rua vai-lhe-o ensinar, neste período final da sua educação, e, imagine-se, depois de décadas de enorme esforço financeiro, de uma forma, pasmem, colossalmente... gratuita.

(Quarteto do, ó, Relvas, vai estudar!... e do, ó, Gaspar, deixa-te disso, já não tens idade para pívias!..., no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

11.10.12

Laura Diogo, Margarida Marante, a Opus Dei e as Eleições Presidenciais antecipadas




Imagem do Kaos


Há uma súbita vertigem, nos órgãos de intoxicação social, através dos notáveis comentadores, que, em nada, contribuíram para a destruição de Portugal, numa necessidade de um Governo de "União", onde "todos os Portugueses se reunissem, para salvar Portugal".

Estou totalmente de acordo, com a ressalva de dois pontos, o primeiro é que a expressão "todos os Portugueses" teria de ser reescrita como "todos os Portugueses, exceto os que trouxeram até este ponto de dissolução da identidade nacional", e é uma ressalva entre o ético e a necessidade política. A segunda é muito mais de natureza técnica: constitucionalmente, os Governos da III República necessitam da existência de um Presidente, que lhes dê posse. Acontece que o mandato de Cavaco Silva é dos eventos mais bem balizados de toda a História de Portugal: começou no dia em que teve o "ataque" e acabou ao som dos gritos da Luísa Trindade, em 5 de outubro de 2012, dia no qual, com toda a dignidade com que sempre soube desempenhar o cargo, nem parou, nem mexeu um músculo, enquanto uma só voz gritava por 10 000 000 de conterrâneos.

Ora, é consequência do anterior que, estando o Palácio de Belém desocupado, urge convocar Eleições Presidenciais antecipadas. Para os "troikistas" ortodoxos, o evento, em nada, desestabilizaria os mercados, bem pelo contrário, mostraria que os Portugueses estão atentos, e que têm autonomia suficiente para proporem os necessários reajustamentos políticos, sempre que tal se revele necessário. A alternativa, como se sabe, é os militares virem para a rua, e obrigarem a uma alteração menos suave da Desordem Constitucional, instituída pelos grupos de pressão em campo, Lojas de cariz maçónico-criminoso, Clubes Angolares, Círculos Sino-Indianos, fanáticos do chicote, da Opus Dei, os Amigos de Chávez, as diferentes mafias, sempre em complexos equilíbrios homeostáticos, e o Aurora Dourada dos medicamentos pela porta furada.

Uma vez eleito o Presidente da República, que não poderia provir do eixo Maçonaria-Opus Dei e estar completamente desvinculado de qualquer atividade política anterior, poderia proceder-se ao levantamento das pessoas capazes de constituir esse "Governo de Salvação Nacional", cujo filtro, por exemplo, também poderia incluir a cláusula de nunca terem sido entrevistados pela Margarida Marante.

Como nos concursos-surpresa, ao contrário da "Casa dos Segredos", onde já se sabe que irá ganhar o "Rosso Escort", Cláudio Fernandes, um Renato Seabra bem comportado, estive a entreter-vos com este texto, quando, na realidade, o que me apetece pôr aqui hoje é um outro texto, que está a fazer furor nos emails, sobre o cariz e o carisma da defunta, atrás citada, e passo a transcrevê-lo, tal como o recebi: "A morte [...] da jornalista Margarida Marante, vitima de um ataque cardíaco fulminante, não deixa de suscitar interrogações sobre a hipocrisia desta vida. Traçam-se agora os maiores encómios à atividade passada de Marante, como entrevistadora corajosa, desde que começou a carreira, aos 20 anos, no semanário o ‘Tempo’, e, mais tarde, na RTP, onde se distinguiu nos programas de grande entrevista política, tendo integrado a equipa fundadora da SIC, onde apresentou programas como ‘Sete à Sexta’, ‘Contra Corrente’, ‘Cross Fire’ e ‘Esta Semana’. Mas esquece-se o maior drama da sua vida, que, provavelmente, levou à sua morte precoce! Fala-se dessa carreira emérita mas esquece-se que o esquecimento a que foi votada por muitos amigos e familiares (houve excepções!) a levou a rumar para os caminhos perigosos do consumo de drogas que arruínaram a sua vida profissional e pessoal. Nem a desintoxicação numa clinica em Navarra,paga pelo seu amigo do Opus Dei, Jardim Gonçalves, a levou a deixar esses caminhos torturosos, ela, que tinha tudo para ser feliz: apresentadora temida em programas de TV, presença habitual nas revistas «cor de rosa» onde surgia ao lado do marido, Emídio Rangel, com amigos influentes – entre os quais, o ex-marido, Henrique Granadeiro, pai dos seus três filhos, homem forte da PT, que sempre a acarinhou, mesmo nas horas infelizes - passando por José Sócrates e a ex- namorada deste (?), Fernanda Câncio, habituais frequentadores de sua casa, tendo-se Fernanda Câncio tornado testemunha presencial de cenas dramáticas a que foi sujeita. Inexplicavelmente, ligou-se a Fernando Farinha Simões, um cadastrado com ligações ao Caso Camarate (que denunciou agora através de uma carta as várias implicações deste crime que continua impune), que dizia ter em seu poder vídeos comprometedores para personalidades influentes do meio social e político, a quem fornecia droga, e apanhara em grandes orgias. Os alvos principais foram Margarida Marante e o marido, Emídio Rangel, o jornalista que conhecera quando ainda estava na prisão, onde cumpria pena por tráfico agravado de droga e que o convidara a participar, como informador, num programa na forja da SIC sobre o Caso Camarate. Repudiado na sua relação amorosa com a jornalista, depois de se ter envolvido nove meses com ela, resolveu contactar o jornal «O Crime» para se vingar. O «tiro» havia de lhe sair pela «culatra»: antigo colega nos anos oitenta de Marante no semanário «Tempo», o jornalista que Simões contactara reatou o contacto com a antiga apresentadora. E foi ela quem acabou por lhe revelar todo o seu drama, recebendo-o, em sua casa, com lágrimas nos olhos, aliviada por saber que «o monstro que lhe atormentara a vida estava de novo preso». Fernando Farinha Simões, que deverá sair muito em breve da prisão, era um cadastrado capaz de se dar bem com Deus e o Diabo. Antigo motorista de Sousa Cintra, foi considerado um «chibo» (informador) nas prisões por onde passou. A sua aparente simpatia e inteligência fizeram com que mantivesse relacionamentos surpreendentes, até junto dos mais altos quadros da PJ, onde gozava o «estatuto» de infiltrado junto do DCIT, o órgão de combate ao narcotráfico. Nos finais dos anos noventa, a passagem pelo estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz tornar-se-ia penosa para este personagem: «Estava sempre a levar estaladas por se chibar», confidenciou um seu antigo companheiro de cárcere. Tony, o ex-namorado de Arlinda Mestre, a concorrente da «1ª Companhia», um indivíduo que esteve ligado ao grupo de traficantes do colombiano Pablo Escobar, foi um dos que afogou as suas mágoas na cara de Simões. Aliás, esta faceta de denunciante e de «fura-vidas» também se revelou no decurso dos trabalhos da V Comissão de Inquérito Parlamentar ao caso Camarate, quando Fernando Farinha Simões foi à Assembleia da República, conduzido sob escolta, fazer revelações surpreendentes. Sem pejo, FFS denunciou José Esteves, seu antigo companheiro nas redes bombistas do chamado «Verão Quente de 75», como tendo sido o homem que fabricou a bomba que fez cair o Cessna que transportava o então primeiro-ministro. Mais tarde, numa entrevista à revista «Focus», Esteves confessou ter sido um dos autores do atentado, lançando as culpas da autoria moral para as chefias militares, sobressaltadas com a iminência da revelação de comprometedora documentação na posse Adelino Amaro da Costa envolvendo-as nos desvios dos dinheiros do Fundo de Defesa do Ultramar – uma espécie de «saco azul» destinado a financiar ações ilegais, entre as quais, soubemos, a compra de armas para a guerra Irão/Iraque. Foi com o intuito de procurar tirar dividendos desses seus conhecimentos sobre o mistério Camarate, pensando num atenuação da pena, que Fernando Farinha Simões testemunhou na Comissão de Inquérito na Assembleia da República. Ao mesmo tempo, ofereceu os seus préstimos a Artur Albarran e a Barata Feyo (então responsáveis do programa «Grande Reportagem» da SIC e que preparavam um trabalho sobre a morte de Sá Carneiro). Foi desta forma que conheceu o director de informação daquele canal: «O Rangel soube que o Fernando Simões estava a par de muitas informações sobre o que aconteceu em Camarate. Resolveu contratá-lo como informador para um documentário com 12 episódios sobre o caso. Chegava a mandar o motorista da estação de TV buscá-lo num Mercedes a Pinheiro da Cruz quando ele saía nas precárias. E de informador passou a ser seu companheiro mais chegado, acompanhando-o nas noitadas», referiu Margarida Marante. O tal seriado sobre Camarate terá custado uma pequena fortuna a Pinto Balsemão – Margarida fala em 50 mil contos na moeda antiga (250 mil euros actuais) – mas a mini-série nunca foi para o ar, e apenas um episódio terá sido produzido. O relacionamento de FFS com a jornalista iria perdurar muito para além do seu divórcio atribulado com o ex-diretor da SIC. Marante explicou os motivos pelos quais acedeu relacionar-se intimamente com um indivíduo de passado mais que duvidoso: «Encontrava-me fragilizada depois de anos e anos de um casamento marcado pela violência com o Rangel. Por outro lado, a minha formação católica – sabe, sou do Opus Dei? – levava-me a acreditar na redenção humana. Todo o homem, por mais miserável que seja, deve ter uma segunda oportunidade. Apreciava a forma com ele, amava a sua neta. E pus-me a pensar: será que eu devo duvidar de um homem que tem este comportamento tão humano, que me ampara a mim e aos meus filhos, que se mostra tão dedicado para connosco?». A alma e a carne são frágeis. E Marante, vulnerável, assumiu esse relacionamento que acabou por se tornar demasiado íntimo. Havia também outros interesses em jogo. Atentemos no que escreveu um dos juízes relatores no acórdão da sentença da 2.ª Vara Criminal, que condenou Fernando Farinha Simões a seis anos e meio de prisão pelos crimes cometidos contra Marante, justificando os motivos pelos quais achava que o arguido deveria também ser penalizado por tráfico de droga: «Foi manifesto das suas declarações que a assistente sempre dependeu de outrem para obter cocaína (primeiro, do seu então marido, depois do arguido) não sendo em meu entender líquido que tivesse recursos para procurar outra fonte de abastecimento, antes se deixando entregar às mãos do seu “fornecedor”, pelo menos enquanto o pudesse fazer, como fez, por ter recursos financeiros para tanto». Fernando Farinha Simões acabou por ser condenado por três crimes de sequestro, dois por coação grave, três por violação de domicílio, os quais praticou quando a apresentadora pretendeu acabar com a relação que se ia tornando cada vez mais obsessiva. E aí começou o terror: «Queria mandar em tudo, até na minha conta bancária, nos cartões de crédito, na escolha dos meus amigos… Assumo que foi um erro ter ido para a cama com ele… talvez o tenha feito por me sentir revoltada. Os dias passavam e cada vez me sentia mais angustiada. Queria vê-lo fora de casa, longe dos meus filhos (que deixaram de a frequentar) e ele não me largava. Até que o proibi de ir a minha casa. Mas ele nem assim desarmou: introduzia-se no meu apartamento, passando pela varanda de um andar ao lado, depois de ter subornado o porteiro do prédio. Comecei a viver dias e noites de autêntico terror. Por várias vezes, acordava durante a noite, com ele no meu quarto, aos pontapés à cama. Cheguei a barricar-me no meu quarto, mas ele partiu a porta aos pontapés», contou Margarida Marante. Das «invasões» do domicílio às agressões e ameaças foi um pequeno passo. A antiga apresentadora chegou mesmo a ser intimidada com uma faca, que FFS lhe encostou ao rosto, e, numa outra ocasião, como nos revelou a jornalista, o cadastrado introduziu-lhe o cano de uma arma «Glock» no sexo. Na 21.ª Esquadra da PSP, de Campolide, choveram várias queixas de Margarida. Mas as suas súplicas não eram atendidas. «Provavelmente, pensavam que eu não estava boa da cabeça», sublinhou. O rapto e sequestro para a Figueira da Foz, onde, durante o trajeto, Margarida -- contou ela. numa carta que enviou a amigos, alertando-os para o seu drama -- chegou a ser a amarrada a uma árvore, enquanto FFS lhe encostava uma arma à cabeça, poderá ter «sensibilizado», de forma definitiva, a Polícia a agir. As brigadas Anti-Crime da PSP e a DCCB da PJ entraram em campo, e foi emitido um mandado de detenção contra o ex-presidiário. Este acabou por ser detido em Cascais, mas, aproveitando uma ida à consulta no Hospital de São José, acabou por se evadir. Foi durante este interregno que Fernando Farinha Simões contactou «o Crime» para um encontro num café nas proximidades do jornal, dizendo estar na posse de provas comprometedoras para Margarida Marante e Emídio Rangel. Mas o único documento que acabou por exibir foi, precisamente, o mandado de detenção emitido por um juiz do TIC, para ser conduzido, sob custódia, no âmbito de uma queixa apresentada pela jornalista. Nos dias seguintes, FFS deixou de dar notícias. Havia uma explicação para o facto: é que fora detido na noite de 28 de Janeiro de 2006, à porta do prédio onde reside Margarida Marante, quando se aprestava, uma vez mais, para invadir o seu domicílio. Mais tarde, Margarida Marante haveria de confessar os motivos que a levaram a tornar públicos estes factos (que criaram muitos «estilhaços» nos meios onde se movimentam as nossas vedetas das TV, entre as quais, o consumo de droga era assunto sigiloso) uma atitude pouco comum nas figuras em destaque nos vários quadrantes da sociedade. «Foi por causa das chantagens que o Farinha Simões me fez, ameaçando incriminar amigos próximos, alguns deles bastante influentes na sociedade portuguesa, ameaças que iam desde o fornecimento de droga, a suspeitas sobre a sexualidade. Por outro lado, quis expiar os meus pecados. Quero voltar à vida». Um propósito que está a ser difícil de concretizar: a jornalista nunca mais foi estrela nos ecrãs da TV.  Morreu agora, triste e só, esquecida pelo grande público, longe dos holofotes da fama que ela tanto ansiava voltar a recuperar. Era de facto uma grande jornalista mas escolheu mal as suas companhias que arruinaram a sua vida. Paz à sua alma!" (Lucas Carré)

O texto é interessante, e até poderíamos criar as verões vegetariana e/ou picante, se acrescentássemos à porcaria dos nomes que aí pairam, os restantes, os do costume, as ferreiras alves, os catrogas, os mexias, os bavas e todas as gentes sérias que têm uma opinião e comentam a nossa desgraça, e até a alimentam, o que, de facto, implica uma limpeza geral, antes da formação de qualquer "Governo de Salvação Nacional".
Há que, de facto, reconstruir, primeiro, a "Nacionalidade", definir o que é "salvar", e, só então, já com um Presidente da República digno desse nome, avançar para uma fórmula governamental. Como estão a ver, é quase elementar, embora os Portugueses se pudessem sentir órfãos de não reconhecerem nenhuma das caras da permanente paródia televisiva.

Sei que me estão a fazer sinais, a dizer que me esqueci da Laura Diogo. Não esqueci, não, foi discretamente substituída por uma camada mais jovem, a recibos verdes, e continuam a ser rebentadas, quando não nos estão a rebentar a nós, pelo "Clube de Angola"


(Quarteto da Margarida Marante, fazes cá tanta falta como uma viola num enterro, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

9.10.12

Miguel Relvas, enquanto epígrafe da derradeira "bananização" da República Portuguesa


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Há um postulado da Democracia Portuguesa que diz que tudo o que vem do Cavaco é mau.

Numa análise fina, mais género sofística do Marcelo do que das grosserias do "Paramécias", do Cavaco, veio o mau, o muito mau e o péssimo.

Antes de que a alimária do Crato retire isto do programa de exames, vamos analisar um exemplo em que todas a oitavas deste teclado foram preenchidas, o Clã Beleza: temos Miguel Beleza, que desvalorizou o escudo, quando o Cavaco ainda podia usar esses instrumentos, para arruinar Portugal, e foi mau, como mau foi tudo o que vem do Cavaco, mas foi menos mau, ao fazer um "mea culpa", naqueles sanatórios televisivos do Mário Crespo, quando, depois do dentolas lhe debitar o currículo, ter afirmado que "aquilo não era um currículo, era um cadastro"; muito maus, "ex aequo", eram o irmão, Zezé Beleza e a mãe, o primeiro, ao burlar o Estado em 300 000 € -- trocos, aos valores de hoje... -- a enganar drogados, e a acabar como apresentador de uma televisão de que me não lembro, onde contava como tinha gasto o dinheiro dos Portugueses em viagens do Oriente. Havia um pouco nele de Margarida Marante, com menos Opus Dei, e muito mais coca. A segunda, a rainha mãe das Belezas, a Leonor dos Prazeres (?) Beleza, então, muito interrogada pela filha, para saber se o sangue contaminado com HIV ficava mais caro ser ministrado nos doentes do que deitar fora. Claro que à Secretária Geral do Ministério da Saúde competia poupar, e poupou. Já o neto ingressa na categoria do muito mau, o Miguel Beleza Júnior, traficante no "Caso Party", que convinha abafar, porque metia gente séria, da Política, e o pobre filho da mãe de uma mãe que já tinha sofrido muito. Nesta nobre linhagem, ainda arranjamos lugar para o péssimo, Leonor Beleza, achampalimauzada numa fundação de arrancar olhos aos coelhos, depois de ter arrancado a vida aos hemofílicos. Ganhou uma pátina impressionista, e gere, no seu Curral dos Olhos, Fundação para o "Unknown", o "Darwin's Café", um dos lugares mais caros da Europa. Querem adivinhar quem faz a publicidade?... Costa Freire, outro dos seus cocadastrados, como seria de esperar. Não vos espantará que ambos tenham ganho e depois perdido fortunas, nos colapsos do BPN e do BPP, mas isso já sou eu a delirar.

Duarte Lima arruma-se na categoria do abaixo de horrível, já que a Música, desde o "Fantasma da Ópera", permite que a desculpa de tocar órgão seja a máscara para um infindável dedilhar de crimes. Acabou como a Catherine Deneuve, de Saquarema, a disparar, travestido com uma cabeleira loura, sobre Rosalina Ribeiro, para depois poder negar, olhos nos olhos da câmara, como Carlos Cruz, que não fazia a mínima ideia de quem podia ter morto a amante do velho: era ele, disfarçado, à Polanski, de loura puta, e assassina, a "Gisele" de Saquarema.

Ferreira do Amaral está na categoria dos maus horrores, também conhecido pelas gorduras público privadas da "Lusoponte". A Vasco da gama fez um enorme arco, para não passar por onde fazia falta, mas para acabar onde fazia vista, por acaso, nos terrenos que os Amarais tinham para expropriar, na Margem Sul. O Estado, ou seja, você e eu, pagámos. Merecia o Prémio Sapatinhos de Cimento, na Fundação Salinas do Samouco.

Silva Peneda, uma das referências do Conselho não sei das quantas Social, é, obviamente, contra o Acordo Ortográfico, mas a favor de um bom ensino, ou "escola", casapiano. Também não viu, nem soube de nada. Dizem as más línguas que foi apanhado, na posição do seminarista, a ser comido, no salão oval da Praça de Londres, pelo chefe de gabinete. Está na zona do assim assim, do muito mau, o que virado do avesso, lhe permite, muito bem, continuar a contracenar, na paródia nacional.

Catroga confunde Economia com pintelhos. Grosseiro, e boçal, deixou o país com um "deficit" de 7%, mas a culpa não foi dele, foi dos que se lhe seguiram. Está na carreira dos próximos ministeriáveis, mal ultrapasse a fasquia dos muito maus.

Há um luto nesta lista, que é Eurico de Melo, que só a "rèssurreição" poderá a voltar fazer ocupar a Pasta da Defesa, já que o destino lhe reservou um lugar... horrível, no Hades.

Passos Coelho, obviamente, não pode ser remodelado, embora certas vozes o queiram, dia após dia, associar ao enorme escândalo sexual que foi o Reinaldo rebentar com a Laura Diogo, das "Doce", enquanto, ao lado, o Pedro, tentava fazer o mesmo à colega, Fátima Padinha, já então, com ar de poder ser mãe dele. "Ó, Reinaldo, como é que tu conseguiste abrir um túnel desses?...", e já o futebolista lhe respondia, "um dia, quando fores angolano, eu explico-te". O mistério ficou no mesmo nível da "Comédia", de Aristóteles, até que Miguel Relvas lhe o ensine, por equivalências. Já as ligações difusas, confusas e suspeitas, entre ambos, só agora foram redescobertas pelo "Público", depois de estarem, há meses, a ganhar bolor, no "Democracia em Portugal".

Como já devem ter percebido, estou a escrever à deriva, mas, na verdade, estou, e não estou. O que Louçã, futuro trunfo eleitoral das listas de um PS renovado disse, sobre esta maré criada, de "urgência de remodelação", para enfiar nos buracos do Governo os cadáveres do Primeiro Cavaquistão, não é sem sentido, aliás, faz todo o sentido, já que tudo o que vem do Cavaco é mau, a começar por ele próprio.
Cavaco nunca se conformou com o 25 de abril, e com a interrupção que isso lhe provocou na provinciana carreira pessoal. Também nunca se conformou com não ter tido uma maioria absoluta para sempre, num governo sem primeiro ministro, de iniciativa presidencial, e agora chega o tempo, mas chega tarde, porque o país é governado a partir das ruas. Quanto a Joana Marques Vidal, retomando a linha inicial deste texto, vem do Cavaco, logo, só terá de ser má, apenas aguardando saber-se se será má, muito má, horrível, cavacal, ou nem terá tempo de aquecer o lugar, com o desmoronar da III República.

(Quarteto do mau agouro, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

5.10.12

O último 5 de outubro da III República




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Francisco José Viegas passará para a História como o tutor do ultimo estado de degradação cultural da Lusitânia... sim... pronto..., eu sei que não estavam à espera de que eu começasse esta farpa desta forma, mas já vão perceber por quê.

O estado de aculturação português, é presentemente o mais baixo possível, embora não haja nenhuma agência internacional capaz de lhe cortar o "rating", porque ele é uma espécie de relva geneticamente modificada, que se autofagia, a si própria, e, portanto, dispensa cortes, por impossibilidade de vir mais abaixo.

para o viegas, a cultura é sempre mais uma lombada, de preferência vazia, e a adjetivação de vazio é essencial durante esta era cavacal.

somos um imensa casa dos degredos, onde cada anormal político, cada anomalia "cultural", cada desvario público tem um segredo, que é tão pouco secreto que basta deitar o nariz de fora da janela, para o descobrir.
o relvas, por exemplo, entrou para o retângulo lusitano, com a sua "valise de carto(o)n" com um segredo que toda a gente julga que sabe, mas não sabe: não é só um curso que ele não tem, é todo um analfabetismo, que o levou a não saber ler nem escrever, passe a redundância. como diria a minha empregada, porque está num nirvana cultural que só lhe permite "ver os bonecos", e, às vezes, nem isso.

borges está a morrer, de maneira que o seu segredo é acordar, de manhã, todos os dias, fazer um risco com a navalha, na mesa de cabeceira, e dizer para a boca da servidão dele, "este já cá canta, este já ninguém me o tira!...", esquecendo-se de que um conselho de ministros extraordinário até pode cortar nas horas do dia, e ele acabar por morrer a meio da tarde, embora não se deva desejar a morte a ninguém, sempre há uns que até sabe bem.

o segredo de vítor gaspar é o da empregabilidade: todas as suas teorias estão erradas, mas como crato, o cancro da educação -- agora, posto em causa, com o seu novo método do gera desemprego "ad libitum" pelo "tira e põe", com a centenária marquês de pombal, obra gloriosa da "grande loja da razão triunfante", "et pour cause", como exemplo, porque, cala-te boca, para cabrão, cabrão e meio... -- lá deverá haver uns daqueles que encornam não importa o quê, para os exames, que haverão de ter saído com brutas notas das asneiradas do gaspar. Numa grelha sociológica de análise de inserção social, devia-se fazer uma correlação entre aqueles que saíram com brutas notas da cátedra do pantomineiro das finanças e o seu sucesso no mercado de trabalho, seguido de uma correlação, em forma de corolário, de como a sua inserção no mercado de trabalho levou ao rápido colapso da entidade empregadora.

o segredo de paulo portas é aquela célebre tarde em que foi apanhado pelos seguranças do fórum picoas, depois de ter "aviado" nos sanitários do segundo piso, e é um segredo que está a render, tanto que miguel relvas já lhe sussurrou que, se isso não servir, tem os testemunhos todos dos arrumadores do "cinebolso", versão 1.0, com reformas miseráveis, mas excelente memória dos factos à meia-luz.

álvaro santos pereira tem um segredo muito mais evidente: é a cristas canadiana, com toda a sua capacidade de se manter num cargo e área de intervenção inexistentes, o que faz lembrar certos institutos, ou, mesmo, o dogma da virgindade da senhora de fátima.

poderíamos ir por aí adiante, mas vamos diretos ao cerne da questão, passos coelho, que pensa que a república é uma coisa onde se empilham os estudantes vindos de fora, para alta pielas e cenas de droga, de preferência, com o canudo garantido no fim, por meios equivalentes, sendo que a referida "república" só se considera completa com a associação de um número relevante de conas de pretas.  

(aproveito para fazer uma pequena consideração, porque, por espaços que estão completamente a leste do que é a utilização da linguagem literária, e a milhões de quilómetros da sátira dos espaços com tradição de verbalização da opinião pública, pensam que estão a ler uma croniqueta do ricardo araújo não sei das quantas, na "visão", e, então "cona de preta" é uma expressão racista. à laia de palinódia, reconheço que têm toda a razão, porque a expressão correta é "vaginas africanas", ou "vaginas afrolusitanas", ou "vaginas-palops", mas, sendo estas breves tirado polo natural, resolvi citar o vernáculo do futuro primeiro-ministro, que era menos contido, e já então dizia, nas célebres noites em que era arrastado dos bares das "docas" , pelo pessoal das, hoje, "produções fictícias", em estado de pré coma alcoólico, sempre com as mesmas palavras na boca, "que gaja tão boa, comia-lhe aquela cona toda, preta do caralho, que deus te fez tão boa, queria-te toda para mim...", e a função de cronista, do escritor, é, portanto, tentar envolver, no manto diáfano da fantasia, este reles decorrer da realidade, e assim se fez, e assim semore será).

sendo então uma "república" um antro de "estudantes", fedorentos de álcool e charros, rodeados de conas de preta por todos os lados, é natural que o aprendiz de feiticeiro, elevado à categoria de algoz da nação, se achasse com poderes plenipotenciários par extinguir um feriado, no qual nem o maior português de sempre se atreveu a tocar.

a resposta do feriado, obviamente, é extingui-lo a ele,

o que já o pôs, em 5 de outubro, a anos luz de lisboa, capital para ir chafurdar em bratislava, onde o tarentino rodou os "hostel", deixando o petisco para um tal de senhor aníbal, de boliqueime, que é o padrinho, no sentido parental e espiritual, de toda a camorra que conduziu o país para o estado em que está.

para o ano, já não estará cá.

nos últimos textos, tenho arrasado, e arrastado, pelas ruas da amargura, os muitos protagonistas desse sinistro período, que foi o primeiro cavaquismo, mas estava a esquecer-me de um, um tal de silva peneda, ministro do "trabalho", que também tinha o seu segredo, o de ter sido apanhado, no gabinete, da praça de londres, a ser cavalgado pelo chefe de gabinete.
outras eras: hoje é um distinto "conselheiro" da demência presidencial, a"loucura do rei george", versão cobertores de boliqueime.

aparentemente, e dados os altos riscos que hoje comporta qualquer saída presidencial, o aleijão de poço de boliqueime foi arrastado da praça do município para o "pátio da galé", que não sei o que seja, e também não saberei amanhã o que é, porque adoro as vaias televisonadas, já que os jornalistas conseguem transformar em espetáculo fino a elementar decadência de um pobre desgraçado, cujo único sonho era ter enterrado Portugal, sem que se desse conta disso, ao longo de quatro infindáveis mandatos.
acontece que o Povo acordou, e pede-lhe a cabeça com urgência.
brevemente, não será tão só o Povo, mas também a célebre troika, que, de cada vez que cá vem, vê que os quistos estão na mesma, e o país progressivamente mais arruinado.
"então, já dissolveram as parccerias publico-privadas, com invocação do dever de salvação nacional?..."
pois,
claro que não.

evidentemente que para os tarados que nos governam, essa realidade é inexistente, mais cona, menos cona, de preta, tanto faz. corre, mesmo, uma teoria que diz que, já que ninguém os demite, por inexistência de presidente da república, eles estão a arranjar maneira de se autoporem na rua, o que seria um exercício político com alguma graça, não estivesse ávido de protagonismo um tal de seguro, que tem cara de quem nem uma mercearia seja capaz de segurar.

tudo isto parecem trocos, mas, para a História, esta factualidade, cega e negligente, não é irrelevante: está a escrever-se, com indelével areia, na forma de manchas monumentais, umas vezes, manchas de tinta, outras, de sangue, como em muitos momentos da nossa epopeia coletiva, embora, com certos animais, e que, para bom entendedor esta meia palavra baste, até o tiro de misericórdia seja, por vezes, um... desperdício.

(quarteto do vão-se embora, ou têm de ser corridos à pedrada, seus gatunos?..., no "arrebenta-sol", no "democracia em portugal", no "klandestino" e em "the braganza mothers")
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