
O sistema de poderes carece de legitimidade democrática, para poder exercer-se, pois que os pressupostos da democracia não se verificam, sobretudo porque nunca se verificaram, e porque as instituições não funcionam por democraticidade interna, no respeito pelo interesse justo de quem servem. Tudo fica dependente de uma vontade soberana, restrita a uma casa real da esfera de um grupo dirigente, muitas vezes escolhido por uma elite de cúpulas, instrumentalizadoras da sociedade e da opinião reinante! Portanto, negando o grande predicado democrático, as bases eleitorais nunca são chamadas a pronunciarem-se sobre a validade e aceitação de uma vontade expressa pelos governantes, muitas vezes orquestrados por directórios de controlo económico, que vão traçando as políticas, que mais lhes convêm à prossecução dos seus negócios! Raramente estes homenzinhos, apenas preocupados com a sua ganância e vontade de acumulação das riquezas extraídas aos outros, entregues a jogos infantis de monopólios de cartão, aplicados à vida real, dão a cara, por medo e cobardia de assumirem o que mandam legislar aos políticos tendenciosos, seguidistas da fama, mas colaboracionistas da acção anti-social de grupos criminosos organizados! As cúpulas dirigentes visam subjugar as bases, ao serviço de interesses elitistas, contrários aos grandes princípios de liberdade responsável; da auto-determinação individual criativa para a felicidade social, da justiça social das retribuições do trabalho pelo empenho energético e qualitativo de cada um, da distribuição igualitária de benefícios sociais, da cooperação inter-individual para a coesão social, da comunhão e partilha de recursos e produtos laborais e da desmilitarização das estruturas hierárquicas do mando e do poder de submissão a obediências cegas a uma ditadura dos espertos não sociais! O que temos são directórios de assalto ao poder do mando, sobre toda a sociedade obediente que, contas feitas, representa a concessão eleitoral da confiança de menos de um terço dos eleitores de base, habituados a emitir cheques em branco, na sequência desse voto de confiança cega, seguidista, caciquista, vertidos numa qualquer paixão irracional clubista! Os votantes em grupos continuam a acreditar que vale a pena o voto de confiança, por receberem por isso, ou por acreditarem na possibilidade de uma sorte de mudança, mais permeáveis ao namoro da sedução das palavras, que visa apenas a obtenção do desejado poder de decidir, quem se passará a favorecer na sociedade! Contudo, quem elege pela confiança, não tem qualquer poder de regular os eleitos, limitando-se a esperar que acabem os mandatos, autênticas desilusões, traduzidas em muitas ordens legislativas danosas para o bem comum, perversas, criminosas, anti-constitucionais, imorais, desonestas, incompetentes, mas também salteadas com uns pós de acertos legislativos, de modo a constituírem capital eleitoral, para voltarem a colher os tolos votantes das mesmas fórmulas enganadoras das aldrabices! Fala-se, muitas vezes, de desastres governativos, em que o poder judicial, que devia intervir, numa regulação das elites, entre si, se demite de responsabilidades, protelando e recusando a capacidade de regular os eleitos, com a agravante de que estão ao serviço do interesse legítimo do povo eleitor, sendo pagos, como todas as elites, pelas bases contribuintes e clientes consumidoras! Em teoria, o poder político devia ser vigiado pelo poder judicial e vice-versa, ao serviço do povo pagante! Em vez de se regularem entre si, chantageiam-se em ameaças veladas, para manterem os seus estatutos de privilégio, esquecendo a missão de serviço a quem paga os seus desempenhos profissionais, que são os contribuintes e os clientes; contrariamente, estes são subjugados ao interesse dos diferentes exercícios de poderes hierárquicos. O que aconteceria se estes eleitores também escolhessem directamente os titulares dirigentes dos diferentes poderes institucionais do Estado, em vez destes serem nomeados entre cúpulas?! Como ninguém da elite mandante quer servir a base pagante, no contexto da crise financeira, com a necessidade desesperada de sonegar mais dinheiro aos contribuintes, que já não têm com que pagar, pois que foram sempre descapitalizados, por uma política de baixo salário e excesso de pressão do preço, e foram conduzidos a uma situação de endividamento, que não conseguem resgatar, surge a necessidade de clamar por uma justiça, salvadora do aperto a que se condenam os novos pobres, por excesso de tributação e pela inflacção, prometidos pelo novo modelo de governação e privatização de tudo! O resultado é a revolta, no fim de cada ciclo revolucionário; viemos de uma revolução, ascensão de novas burguesias gananciosas, corrupção da justiça, enriquecimento ilícito e empobrecimento dos espoliados explorados, falência económica e financeira, liquidação de activos e pressão sobre as bases empobrecidas, contestação e anúncio de revolta...; enfim, ou revolução ou redenção! Neste quadro, a manter-se a pressão contra a sociedade das bases, só há uma solução; remover as nódoas das elites corruptas, punindo severa e exemplarmente quem geriu dolosamente o dinheiro público dos cidadãos eleitores europeus e portugueses, com irresponsabilidade, incompetência, desonestidade, ganância, aldrabice, má-fé, oportunismo individual e engajamento de grupo económico oculto, entregando a riqueza comum aos privados acumuladores da riqueza colectiva!






