27.7.10

Sócrates Elogia o Sistema Falido da Saúde ||
A Desgraça Nacional – Como e Porquê ||
Como se Estupidificou a População?

Sócrates elogiou o sistema de saúde nacional por ser igual para todos (notícias de 26-7-10). Que falsidade! O sistema de saúde nacional não é verdadeiramente universal nem segue as normas adoptadas nos países europeus que o fazem realmente igual para todos.

A saúde, como ela está em Portugal, não podia ser pior. Nos serviços do estado não há concorrência e os médicos desinteressam-se completamente por uma profissão que é humanitária, procurando os hobbies paralelos inexistentes nos países democráticos europeus. Por outro lado, esses hobbies minam o sistema. Por algum motivo os portugueses continuam a ter uma esperança de vida inferior.

Nos países europeus a saúde é garantida pelo estado, enquanto a maioria dos serviços são prestados pelos privados (mutuais bem controladas). Os estados, de acordo com as associações dos profissionais (ordens, etc.) estabelecem tabelas tarifárias pelos actos médicos, de enfermagem, de hospitalização e outros complementares. Todos os médicos e outros profissionais de saúde trabalham para o sistema nacional.

Cada pessoa escolhe o médico ou hospital que quiser e gera-se uma concorrência que só pode ser benéfica. Os hospitais, privados ou do estado, estabelecem os preços que quiserem para os serviços hoteleiros de internamento, mas NÃO naqueles para os quais exista o tal acordo tarifário. As pessoas são tratadas convenientemente, o que cá não acontece, salvo as costumadas excepções às regras.

Nalguns países, como em Portugal, os serviços de saúde estão em falência porque enquanto a procura subiu em flecha desde à volta do princípio da década de 1970, nada fizeram para acompanhar essa subida. Cá, ninguém fez nada, nunca, e o Sócrates foi a maior desgraça porque agora ainda precisa de mais intervenção do que antes devido à contínua pioria. Em lugar de transformar, reestruturar, modernizar e revitalizar, aplicou-lhe uma mezinha que nem poderia resistir a uma crise, como se constata.

Onde se evitou a falência adoptou-se por uma subida dos impostos para esse fim ou uma subida das quotizações individuais, consoante o método de financiamento. Porque – não metamos a cabeça dentro do barril – não há outra solução e todos devem ter direitos iguais.

Alguém leu ou ouviu algum jornaleiro sobre este assunto tão importante para todos os portugueses?

O grande mal de Portugal (e de alguns outros países) é os impostos não terem destino especificado e os governantes poderem usá-los como lhes aprouver e sem qualquer controlo do povo. Um autêntico regabofe de descontrolo e de corrupção que só pode originar a ineficiência dos serviços e o aproveitamento desta precária situação pelos oportunistas e hobbies por exploração, assim como um descontrolo completo e a ineficácia do sistema.

Alguém leu ou ouviu algum jornaleiro sobre este assunto tão importante para todos os portugueses?

O Sócrates deveria ter introduzindo as transformações necessárias, modernizando e financiando, copiando dos países cuja experiência resolveria os problemas nacionais. Devia ainda ter acabado com os hobbies e ter estabelecido um controlo efectivo que evitasses explorações e tornasse o sistema democrático, em lugar da fantochada que é.

Alguém leu ou ouviu algum jornaleiro sobre este assunto tão importante para todos os portugueses?

O impostor do Sócrates gaba-se de ter reestruturado o serviço de saúde, mas pelo que atrás se vê, nada fez de útil. Bem pelo contrário. Aplicou-lhe uma mezinha que não durou o tempo da sua legislatura e que só serviu de propaganda de marketing político para incautos. Aldrabão! Mantendo a situação ruinosa, deu oportunidade aos neoliberais anti-democráticos, oferecendo-lhes razão para contestarem sobre uma bandeja, aproveitando-se do descontentamento geral devido à falência na efectividade do serviço.

Alguém leu ou ouviu algum jornaleiro sobre este assunto tão importante para todos os portugueses?

Devido à crise e à má organização, a agravação dos serviços de saúde e da Segurança Social só pode continuar a piorar. As esperas, as faltas de médicos e de todos os recursos vão piorar e em grande. Na posse desta fácil e lógica previsão, o novo PSD neoliberal – que a maioria dos apáticos crê ser o mesmo dos tempos antigos, mas que é quase o contrário, como testemunham as suas proposições e a maioria dos seus mais antigos militantes – teve a oportunidade de avançar com a ideia duma privatização, não como nos países democráticos enunciada acima, não, mas na pura e monstruosa intenção de liberalizar e oficializar os hobbies que roubam a população, enquanto aprofundando e alargando o fosso já grande entre mais ricos e mais pobres. É esta a democracia do actual PSD e do seu chefe de clã mafioso. Enganar o povo e empobrecê-lo roubando-o para dar àqueles a quem permitem o roubo, o todo sem o mínimo controlo.

Deste modo, o PSD começou por espalhar uma ideia contra a população em geral, por enquanto apenas levantando a ideia. Vai agora aguardar pacientemente o inevitável aumento da degradação do sistema devido à incompetência do Sócrates na sua imprescindível reforma. Quando o momento político chegar, o hipócrita do Pedro Coelho vai dizer: Eu não lhes disse que o sistema era insustentável e que devia ser privatizado, com expliquei? Chama-se a isto, literalmente, um hipócrita e sacana de maus fígados ao último grau, por infligir conscientemente o mal a toda a população que não possa pagar.

Pelo que se vê, o isco ainda agora foi lançado, a primeira parte. O seguimento será na altura de vantagem política para que a impostura possa vingar.

O sistema pode muito bem ser privatizado, sustentável, democrático e respeitar os Direitos Humanos como noutros países e lembrado acima, mas jamais do modo que esse ladrão-mor e assassino do povo propõe. O que o Coelho pretende implementar é uma diferenciação de classes em que os que têm mais dinheiro possam obter melhores serviços clínicos, uma grande machadada num sistema já pouco democrático. Passa por cima dos Direitos Humanos de que o direito à saúde faz parte integrante, como reconhecido por todos os países verdadeiramente democráticos e por todas as organizações de Direitos Humanos. Quer classes de ricos e pobres com direitos e regalias distintos.


Classes

Havendo classes não pode haver democracia. Não obstante, a generalidade fala em classes. Logo, se fala admite a sua existência, nomeando-as. Ou seja, o seu subconsciente sabe que a democracia neste país não existe, pois que havendo classes não pode haver democracia: ou uma ou outra, pois que na prática uma impede impreterivelmente a existência da outra.

Alguém leu ou ouviu algum alarve jornaleiro sobre este assunto tão importante para todos os portugueses?


Pergunta-se:

  • Porque é que em Portugal só se copia o que está errado e no presente caso nem mesmo isso, por sermos um caso único na UE?

  • Qual é a vantagem para a população em ter dois serviços a preços diferentes, senão para criar classes nela, o que é absolutamente anti-democrático? Por demais, um serviço do estado como o actual não gera a concorrência necessária.

  • Em lugar de adaptar os sistemas comprovados democraticamente como eficientes, será melhor, como de costume, copiar-se tudo o que está mal nos países atrasados, apenas porque nos impingem as ideias?


Resposta a todas as perguntas

O mal, assim como o mal geral do país é consequente da população não conhecer como vivem, se comportam e actuam politicamente as populações dos países europeus avançados e democráticos (Espanha e Grécia, países também do terceiro mundo, não contam, nem pensar). Ninguém conhece as razões porque as populações de uns países vivem melhor que as de outros. Ninguém conhece como funcionam os serviços de saúde e de Seg. Soc. nos países europeus em geral, nem nos próprios países da nossa UE.


Porquê?

Conhecendo a desonestidade generalizada dos políticos, ninguém se admirará que eles ocultem maliciosamente estes factos de modo a poderem convencer os eleitores a votar nas suas ideias que eles sabem garantirem-lhes melhor os tachos do que um esforço em prol da população, cujo resultado só se verá depois das mais próximas eleições. A ganância do poder imediato é que conta para essa canalha.

O que é realmente de admirar é que aqueles cuja profissão é de informar a população o escondam, mintam, encubram, pasteurizem e manipulam as informações; que as encenem, dramatizem, gozem com a ignorância geral em que eles mesmos mergulharam profundamente a população com os seus métodos em que escolhem o que hão-de contar segundo o seu critério e não a sua obrigação profissional.

Pelo seu comportamento e consequentes resultados, só podem ser eles os primeiros culpados do estado de ignorância geral do país. Tiraram ao povo a capacidade de reflectir naquilo que desconhecem por não terem sido mantidos ao corrente. Mais do que os políticos, arquitectaram assim a desgraça nacional.

A população encontra-se num tal estado de profunda estupidificação por influência da jornaleirada rasca e imunda, que chegou ao ponto de crer que a proposta do Coelho possa salvar o sistema sem prejuízo de acabar definitivamente com a democracia coxa das duas pernas que existe. Esta opinião errada só pode prevalecer pelo desconhecimento completo de como funciona um sistema de saúde privado rigidamente controlado pelo estado em países económica e democraticamente avançados. Pelos que se constata, raros o conhecerão.

Alguém leu ou ouviu algum alarve jornaleiro sobre este assunto tão importante para todos os portugueses?


Nota

Uma opinião que caracteriza a jornaleirada de hoje, em que os nacionais não são únicos mas no que têm uma alta classificação, foi definida num livro de Andrew Oitke, Prof. catedrático de Antropologia na Universidade de Harvard:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»

Mais sobre este livro poderá ser lido num post do blog Democracia em Portugal?



Este e outros artigos também publicados nos blogs do autor (1 e 2).

26.7.10

O país dos gordos!!!!!!!

A Obesidade Mental - Andrew Oitke
Por João César das Neves - 26 de Fev 2010
O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas.
Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema.
Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas.
Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas.
A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.
Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.
Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve.
Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.
Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência.
A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.
Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam.
É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»

25.7.10

OS AMIGOS TEIXEIRA DOS SANTOS E PAULO RANGEL!


Passo a transcrever uma notícia do jornal i, para que reflictam nas movimentações políticas internas portuguesas. "O eurodeputado do PSD é um dos eleitos portugueses, presentes este ano, tal como o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, ambos indicados pelo presidente da Impresa e fundador do PSD, Francisco Pinto Balsemão. Contactado ontem pelo i, Rangel apenas confirma que estará presente no selecto clube, que reúne chefes de Estado e de governo, mas também outros dirigentes políticos e empresariais de todo o mundo, com especial incidência na Europa, Estados Unidos e Canadá. O convite de Pinto Balsemão a Paulo Rangel coincidiu com as directas para a liderança do PSD, em Março deste ano. O eurodeputado lembra a regra de sigilo de todos os convidados. José Medeiros Ferreira é um histórico dos encontros. Como diz ao i, esteve presente em duas ocasiões, (primeiro em 1977, como ministro dos Negócios Estrangeiros; depois, por gentileza, em 1980). Medeiros Ferreira afasta as "teorias da conspiração", que correm na internet, sobre as reuniões do clube Bilderberg - e que incluem até um livro sobre o assunto, com um nome que diz quase tudo: "Clube Bilderberg - Os Senhores do Mundo". A regra do sigilo, explica o ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo Constitucional, serve "para as pessoas falarem à vontade, sem a pressão da comunicação social ou as intoxicações da propaganda". Medeiros Ferreira revela ao i, "pela primeira vez", que depois de estar presente no encontro, os responsáveis do Clube Bilderberg lhe pediram "uma lista de pessoas que correspondessem ao alto perfil desejado" e que pudessem ser mais tarde convidados. "Dei os nomes do dr. Balsemão e do professor Marcelo Rebelo de Sousa, entre outros." Como é público, Francisco Balsemão é desde 1988 membro permanente do clube, para o qual convida todos os anos outros dois portugueses, quase sempre provenientes dos dois maiores partidos, PSD e PS. No ano passado foram convidados o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, e a então líder do PSD, Manuela Ferreira Leite. António Barreto em 1992, Durão Barroso em 94, Joaquim Ferreira do Amaral em 99, António Guterres em 1995 ou Vítor Constâncio em 1988, são outros dos portugueses presentes a convite de Balsemão. Todos eles em ocasiões em que já ocupavam - ou estavam prestes a ocupar - altos cargos a nível nacional ou internacional. Reservado o direito de admissão, Mira Amaral já nem se lembra da data em que foi convidado "há 15 anos, ou mais, com a dra. Maria Carrilho do PS pelo dr. Balsemão" para um encontro do grupo Bilderberg. Mas era então ministro da Indústria de Cavaco Silva e participou em 1995, exactamente há 15 anos, quase no final do segundo governo, numa altura em que o primeiro-ministro mantinha ainda o célebre "tabu" sobre a sua primeira corrida a Belém, contra Jorge Sampaio. Em declarações ao i, o economista compara os encontros anuais de Bilderberg com as cimeiras de Davos, "mas à porta fechada". Por isso, acrescenta, "e só por isso é menos visível, mas não tem nada de conspirativo ou de secreto". Lembra-se que foi um "excelente encontro social num hotel e num palácio magnífico na Suíça". Porém, não considera que faz parte do "grupo restrito das elites que se reúnem todos os anos. Se fizer parte de algum grupo, é do grupo de amigos do dr. Pinto Balsemão." Apesar de contactado pelo i, o presidente da Impresa manteve-se indisponível até ao fecho desta edição. Teorias da conspiração Não faltam teorias da conspiração sobre a influência deste grupo, tão especial nos mais diversos acontecimentos nacionais e internacionais. Difundidas na internet, sobretudo por grupos extremistas, à direita ou à esquerda, fala-se mesmo da "mão invisível" do Clube Bilderberg no 25 de Abril. O golpe de Estado que implantou a democracia em Portugal é referida também na cronologia da revolução, realizada pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra. Na longa cronologia, escreve-se que no dia 19 de Abril de 1974 se realizou na localidade de Megève, em França, "a reunião anual do Clube de Bildelberg - clube em que tomam assento os mais influentes representantes da alta finança mundial". Ali, ainda segundo o relato, "estão presentes, entre outros, Joseph Luns, secretário-geral da NATO". De acordo com o documento da Universidade de Coimbra, os convidados presentes em Megève, tomaram "conhecimento da iminência de alterações políticas em Portugal", decidindo "não contrariar a evolução dos acontecimentos", uma vez que acreditavam que "a mudança política poderia conduzir ao liberalismo económico". A presença do holandês Joseph Luns nessa reunião, sublinha-se, "poderá ter determinado o comportamento da NATO no desenrolar do golpe militar de Lisboa". Mais recentemente, foram difundidas na internet queixas do autor do livro "Clube Bilderberg - Os Senhores do Mundo", dirigidas "a todos os bloggers portugueses a pedir ajuda". Segundo Daniel Estulin, o livro estaria a ser perseguido e censurado em Portugal: "Têm medo que este se torne num fenómeno mundial. De facto, está a tornar-se num fenómeno mundial, uma vez que foi editado em 28 países e em 21 línguas".
Mais: o livro foi retirado das lojas FNAC, por solicitação do governo português!"
Paulo Rangel já declarou, a propósito do erro de Pedro Passos Coelho, que nunca faria o mesmo de Passos, mas a discussão é salutar; pois, claro! Os directórios estão instrumentalizados. O povo é que lhes paga, logo pode destituí-los!
Qualquer sucessor de Passos Coelho, dos que já se apresentaram, pois claro, depois de permitidos, alinham pelo mesmo; liberalismo e mais liberalismo, porque os senhores accionistas querem ficar com os negócios dos Estados, onde, aliás, já estão metidos!

23.7.10

Redução do Deficit
Método Neoliberal

Ultimamente, tem-se discutido sobre a intenção do PSD, apregoada pelo neoliberal ferrenho Pedro Coelho acerca das suas ideias sobre uma constituição que permita a destruição do sistema de saúde e consequente substituição por outro que consagre um sistema de classes.

Quer classes de ricos e pobres com direitos e regalias distintos? Será possível ser-se mais falso? Fácil de passar quando a própria população, nas suas conversas e no que escreve, admite a existência de classes, nomeando-as. Ou seja, o seu subconsciente sabe que a democracia neste país não existe, pois que havendo classes não pode haver democracia: ou uma ou outra, pois que na prática uma impede impreterivelmente a existência da outra.

«A Constituição não pode ficar cristalizada.» – Pedro Coelho, o hipócrita.

Nas democracias mais antigas, as constituições têm durado cerca de 100 anos ou mais. Nos EUA, parece que todos devam conhecer que tem mais de 220 anos. Em França, a constituição de 4-11-1848 durou até 1946. A constituição federal suíça de 28 de Maio de 1874 durou até 18 de Abril de 1999. De notar que países que sofreram grandes transformações com as consequentes das duas Guerras Mundiais, quase todos renovaram as suas constituições. Este caso, porém, não é o nosso, que não houve cá guerra.

Em vista destes dados reais, o Pedro Coelho revela-se assim um miserável ganancioso e irresponsável, em que as suas falsidades se baseiam numa incrível contradição da própria história.

Outro mito que este indivíduo tem criado é a confusão sobre o direito à saúde, a ponto de que muitos duvidam hoje sobre se esse direito é ou não um direito obrigatório democrático. O direito à saúde é muito mais do que isso. De acordo com todas as organizações mundiais de Direitos Humanos o direito à saúde faz parte integrante dos Direitos Humanos Universais.

A questão da gratuitidade dos serviços de saúde universais também está a ser usada como areia para deitar aos olhos da população, mais uma vez (como de costume) devido à ignorância geral cuja culpa se deve quase exclusivamente à desinformação sistemática por uma jornaleirada pedante que não cumpre o seu dever profissional. Em lugar de informarem sobre questões de interesse fundamental, escondem esses conhecimentos e até o que se passa e como se procede em países democrática e socialmente mais avançados.

A saúde nunca é gratuita nem pode ser. O dinheiro de algum lado tem que vir porque ela custa e bastante. Afirmar que ela seja gratuita só pode ser falso e despropositado. Tanto pode vir dos impostos como de participações individuais. O que está em causa é o direito a ela para todos, como abaixo indicado. Se é cara e o dinheiro não chega, não é motivo para deixar a maioria da população sem esse direito, segundo a vontade expressa do novo PSD neoliberal. Não existe qualquer razão pare que não se aumente substancialmente a verba dedicada a esse serviço altamente humanitário, caminho que o PSD e o Pedro Coelho escondem com perversidade. Afinal, se é o que se tem passado nos outros países, porque o nega ele para Portugal.

Mais uma vez se cita o exemplo da Suíça – que não é senão um entre os outros países avançados – apenas por se tratar de um dos países mais ferrenhos na sua política de direita, mas de direita democrática e não como os partidos impostores nacionais, sobretudo os de direita, mas também os outros.

O serviço nacional de saúde da Suíça sempre foi privado, mas funcionando em regime de mutualidade, assegurado por companhias privadas estreitamente controladas pelo estado. Com o passar dos anos, chegaram a gerar-se grandes diferenças entre as tarifas aplicadas pelas seguradoras, a ponto do serviço começar a deixar de ser democrático por os encargos já não serem iguais para todos. As seguradoras estavam a ser demasiado gananciosas.

Então, em 1993, o estado federal obrigou as seguradoras a alinharem-se pelas mesmas tarifas, ou seja, toda a população passou a pagar exactamente o mesmo, qualquer que fosse a seguradora. As quotizações têm aumentado, acompanhando a subida dos custos e são presentemente muito altas, mas controladas pelo estado, a quem prestam provas dos custos e relativa necessidade de aumento, quando isso se verifique.

Os serviços básicos prestados são iguais para todos, embora as seguradoras oferecem outras prestações. Estas outras, porém, não podem incluir qualquer diferença no tratamento clínico, mas apenas regalias no serviço hoteleiro incluído nas hospitalizações.

Porque é que esses abortos desinformadores jornaleiros que manipulam as informações nunca contaram aos portugueses como se passa nos outros países europeus? Essa malandragem ordinária dedica-se apenas a mentir e desinformar as pessoas ao transformar as notícias e encobrir assuntos de interesse fundamental nacional.

É uma mudança neste sentido que o Pedro Coelho apregoa? NÃO, é numa diferenciação de classes em que os que têm mais dinheiro podem obter melhores serviços clínicos, uma grande machadada num sistema já pouco democrático.

O facto esconder estes factos pelos políticos só pode ser por malvadez contra os próprios Direitos Humanos. Por que mais poderia ser? Os jornaleiros indignos que faltam à sua obrigação profissional de informar e nem tocam nestes assuntos em conluio com os corruptos, não podem ser melhores do que eles. Deste modo se verifica mais uma vez a parte da culpa directa desta banda de desinformadores degenerados na desgraça nacional, em tudo o que provocou a ignorância geral nacional por falta de informações e consequente falta de conhecimento de causa na generalidade dos assuntos importantes da vida nacional, na apreciação dos actos dos políticos, e outras causas congéneres.


Conclusão:

Propõe-se mais um afastamento da democracia num sistema já o mais afastado dela na Europa.

Os políticos portugueses são miseráveis sacanas que formam associações de criminosos agrupados em oligarquias mafiosas. São assim porque um povo de carneiros lhes permite.

A população deve ser informada e estar ao corrente do que se passa nas democracias mais avançadas e é delas que se deve copiar em lugar de continuar a aumentar a cloaca da Europa com exemplos seguidos de países miseráveis e atrasados como a Espanha. Os jornaleiros pedantes e incumpridores têm espalhado a ignorância.

Os políticos e governantes têm que prestar contas em tudo e ser controlados pelo povo, que deve ser soberano, ou então não há democracia. Controlo apertado com Democracia Directa é a única solução para a pouca vergonha nacional. Rédea curta!

Ou tomamos conta deles ou eles continuam a tomar conta de nós do modo que já tão bem conhecemos por experiência.



Estranho que certos blogs que de costume se arvoram em defensores da democracia se abstenham sobre um assunto sobre o qual se tem ouvido bradar por tudo quanto é lado!


Este e outros artigos também publicados nos blogs do autor (1 e 2).

19.7.10

PARA MEDITAR...


A criação de grandes agrupamentos escolares que irá começar a tomar forma em Portugal no próximo ano lectivo está em queda noutros países, que já viveram a experiência e tiveram maus resultados. Na Finlândia, a pequena dimensão é apontada como uma das marcas genéticas de um sistema de ensino que se tem distinguido pelos seus resultados de excelência.

Em Portugal, para já, os novos agrupamentos, que juntam várias escolas sob uma mesma direcção, terão uma dimensão média de 1700 alunos, in- dicou o secretário de Estado da Educação, João Trocado da Mata. O número limite fixado foi de três mil estudantes.

Em Nova Iorque, o mayor Michael Bloomberg tem vindo a fazer precisamente o oposto. Desde 2002 foram fechados ou estão em processo de encerramento 91 estabelecimentos. Entre estes figuram mais de 20 das grandes escolas públicas secundárias da cidade, que foram substituídas por 200 novas unidades. Nas primeiras chegavam a coabitar mais de três mil alunos. Nas novas escolas, o número máximo vai pouco além dos 400.

Em algumas das grandes escolas que fecharam portas eram menos de 40 por cento os alunos que tinham êxito nos estudos. No conjunto das escolas da cidade, esta percentagem é de 60 por cento, mas entre os estudantes que estão nas novas unidades já subiu para os 69 por cento, revela um estudo financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, divulgado no final do mês passado.

Ler Notícia completa aqui "Público".


"Na Finlândia, só três por cento dos estabelecimentos têm mais de 600 alunos. Ao contrário de Portugal, lá fora aposta-se no regresso a escolas mais pequenas"

"Em Nova Iorque, a taxa de sucesso entre os alunos que foram transferidos para escolas mais pequenas é superior à dos que permanecem nos velhos estabelecimentos"

Nota: Será que teremos de ser sempre a mesma merda, e copiar o de mau, em vez dos bom exemplos? A demagogia dos nossos Políticos da treta, vão levar-nos longe, tão longe o quanto a nossa estupidez o permitir. Permitam-me que nos chame a nós uns estúpidos e uns cretinos, sim, pois temos para breve eleições e ganharão os mesmos que nos tem arruinado estes anos todos, PS/PSD/CDS, se bem que os últimos estiveram lá pouquíssimo tempo, mas o que fizeram mais valia estarem quietos (fizeram um grande negócio nos submarinos). Quero dizer que estou a salto, vou embora, para mim chega de tretas e de lamechices e choaradinhos. Vou-me pirar antes que me passe uma coisa ruim pela cabeça e seja obrigado a colocar a AR pelos ares a base de bomba... FUI.

17.7.10

Email aos aldrabões e vendedores de banha da cobra

E-mail a Cavaco Silva e a José Sócrates enviado ontem sobre Contas do Estado de 2009, pedindo explicações pelo desvio

From: Pedro Sousa
To: belem , Gab Primeiro Ministro - PM , Diogo Belford , psd@psd.pt, secretariogeral@info.psd.pt, Antonio Preto , Antonio Silva Preto
Date: Fri, 16 Jul 2010 18:52:06 +0100
Subject: Pouca vergonha nacional

c/ B.C.C. a cidadãos conscientes e desde já autorizados à respectiva divulgação generalizada, destapando o alegado "manto de censura" da Comunicação Social deste regime.


Exmos. Senhores
Presidente da República,
Primeiro-Ministro,
Representantes do PSD e CDS,

Boa tarde,
Peço desculpa antes de mais pois os Senhores são os únicos contactos políticos de quem tenho endereços de e-mail.

Para vosso conhecimento (e despertar das vossas consciências cívicas) os quadros em anexo do qual é possível constatar que andarão a "brincar" com o dinheiro dos contribuintes, ou seja:

Em 2010, Teixeira dos Santos inscreveu no OE 14.048 milhões de euros de "Despesas Excepcionais", presumindo-se (pelo exemplo do ano anterior) que não aplicará a totalidade essa verba (pois "só" usou 3.266 dos 23.258 milhões orçamentados).

Sendo assim, porque razão exige-se aos portugueses 1.700 milhões de euros de esforço acrescido em impostos directos e indirectos, quando pode aplicar esta rubrica orçamental? Só há uma qualificação (mínima) para mim: Abuso de Poder e desonestidade intelectual e política!

Agrava-se o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, há empresas que fecham diariamente e a classe média e média baixa (a única que não tem benefícios fiscais nem pode fugir ao Fisco, nem abrir contas na Suíça em nome de primos motoristas) vê-se cada vez mais em dificuldades para gerir os seus orçamentos domésticos, sem falar no aumento da criminalidade fruto do desemprego.

Qualquer dia aplica-se o artigo 21.º da Constituiçãio: Direito de Resistência ao pagamento de impostos.

Por outro lado, é preciso perguntar e saber do Governo:

1. Por que razão os Serviços de Apoio e Coordenação, Órgãos Consultivos e outras entidades da PCM (Presidência do Conselho de Ministros) custaram ao erário público mais € 1.612,846,40 do que estava orçamentado?

2. Por que razão o Gabinete do Ministério dos Negócios Estrangeiros custou ao erário público € 651.784,29 a mais do que estava orçamentado?

3. Por que razão a Cooperação e Relações Externas do Ministério referido no número anterior custou € 20.902.823,71 a mais do que estava orçamentado?

4. Por que razão os Serviços Gerais de apoio, estudo, coordenação e cooperação do Ministério das Finanças custou € 3.746.830,11 a mais do que estava orçamentado?

5. Por que razão o Ministério da Defesa Nacional custou € 107.182.211,83 a mais do que estava orçamentado?

6. Por que razão os Serviços Gerais de apoio, Estudo e Coordenação do Ministério da Administração Interna custaram mais € 31.153.248,77 do que estava orçamentado?

7. Por que razão os Serviços Gerais de Apoio, estudo, coordenação, controlo e cooperação custaram ao erário público mais € 61.665.573,38 do que estava orçamentado?

8. Por que razão os Serviços de Investigação, Inovação e Qualidade (dos produtos chineses? a troco da venda dos Airbus para a Air China?) custaram mais € 4.734.750,00 do que estava orçamentado?

9. Por que razão os Serviços Gerais de Apoio, Estudos, coordenação e Cooperação do Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território custaram mais € 2.385.979,44 do que estava orçamentado?

10. Por que razão os Serviços na Área do Ambiente do ministério atrás referido custaram € 2.910.347,58 a mais do que estava orçamentado?

11. Por que razão o Gabinete do Membro do Governo para a Educação custou mais € 222.539,87 do que estava orçamentado?

12. Por que razão os Serviços Gerais de Apoio, estudo, coordenação e cooperação custaram mais € 71.225.597,71 a mais do que estava orçamentado?

12.1. Será por isso que não se valoriza a carreira docente neste País?

13. Por que razão o Gabinete do Membro do Governo com os pelouros da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior gastou mais € 22.448,44 (é nos tostões que se poupam milhões, para quem seja e não seja economista...)

14. Por que razão os Serviços Gerais de apoio, estudo, coordenação e cooperação desse mesmo Ministério do Ensino Superior (numa clara duplicação de despesa pois não faz sentido que esteja separado da Educação, tendo nós dois Ministros para o mesmo Ramo, como se fôssemos um País economicamente saudável...) gastaram mais € 440.519,78 do que estava orçamentado?

14.1. Recordando, a propósito, que o que estava orçamentado era, "simplesmente" € 10.181.000,00...

15. Por que razão os Serviços de apoio central e regional, estudos, coordenação e cooperação do Ministério da Cultura gastaram mais € 2.486.066,24 do que estava orçamentado? E que já eram € 26.833.099,00.

16. Por que razão a Presidência da República gastou exactamente o mesmo que estava orçamentado?

16.1. Dado que estamos numa situação insustentável, não caberia ao mais alto magistrado da nação fazer um esforço de poupança, quando é isso que se pede aos portugueses e os obrigamos a pagar ainda mais impostos?


Para finalizar, por agora, mais 5 perguntas:

A) Por que razão o Orçamento do Estado (v.g., Encargos Gerais e Ministérios) sofre um agravamento das despesas na ordem dos 25% (!!!)?

B) Por que razão entre 2008 e 2009, na Conta Geral do Estado ocorreu um aumento da despesa da Assembleia da República de 74%(!!!)?

C) Quanto é que nos custou a última visita do Papa? É verdade que foram 75 milhões de euros?

D) Quanto é que custaram as comemorações dos 25 anos de adesão à CEE?

E) Por que razão não inibem as pessoas que tenham recebido subsídios públicos e, entretanto, apresentado pedidos judiciais de insolvência, de voltar a receber novos subsídios?

Enquanto aguardo resposta a todas as questões suscitadas, fica à consideração da vossa consciência:

É preciso ter vergonha na cara e explicar (cêntimo a cêntimo) a verba 60 "Despesas Excepcionais" inscritas no Orçamento do Mi(ni)stério das Finanças!

É preciso ter vergonha na cara e suspender este abusivo aumento extraordinário de impostos!

É preciso ter vergonha na cara e começarem a apresentar (e publicitar) a vossa declaração anual de património e não apenas de rendimentos!

É preciso ter vergonha na cara e responsabilizar pessoalmente quem gasta mais do que está orçamentado!

É preciso ter vergonha na cara e não andar a salvar bancos só porque alguns familiares de políticos importantes são accionistas e poderiam perder os seus "legítimos" rendimentos!

É preciso ter vergonha na cara e não ser conivente com os aumentos das despesas dos gabinetes ministeriais. E responsabilizar, pessoalmente, os Ministros (incluindo o PM), obrigando-os à devolução do diferencial, por conta do abatimento de capital da dívida pública.

É preciso ter vergonha na cara e acabar com representantes da república e governadores civis que nos custam mais de 600 milhões de euros ao Orçamento de Estado. É o que dá ter tantas auto-estradas (um País tão rico em termos de construção civil e obras públicas) que fez com que deixasse de se justificar a existência de governadores civis (o Ministro da Administração Interna poderá ir mais para fora do Terreiro do Paço, cá dentro); sendo certo que por outro lado, os madeirenses e açorianos não necessitam de tutores da República, podendo as suas funções ser exercidas pela Assessoria Jurídica no Palácio de Belém.

É preciso saber qual foi a receita fiscal da venda dos computadores Magalhães para a Venezuela, já que, estranhamente, tivemos um Primeiro-Ministro a fazer publicidade dos mesmos numa Cimeira Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo.

Não admira as sucessivas notações negativas das agências de rating.

O meu lamento por um País que eu amo e está eternamente adiado pois aquilo que é público passou a colectivo (de alguns), sendo que todos pagam por tabela.

A vossa falta de visão estratégica e a conivência (passividade é cumplicidade) perante este estado de coisas é confrangedora.

Dêem o vosso lugar a quem queira, de facto, mudar "isto" e colocar os interesses gerais acima dos particulares.

Com cumprimentos,
Pedro Sousa,
membro único (mais valerá só que mal acompanhado)
do Movimento Cidadania Pró-Activa

http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=201001a

www.cidadaniaproactiva.blogspot.com

Henrique Monteiro

 


 

A enérgica defesa de... um chavão!

Henrique Monteiro (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 15 de Julho de 2010

Um fantasma assola, agora, o primeiro-ministro. Chama-se neoliberalismo e significa que... o que significa não interessa, o que importa é que é uma causa de esquerda e, portanto, vale a pena falar dela até à exaustão

Sócrates encontrou o seu novo inimigo de estimação. O seu nome é neoliberalismo. Eu não sei bem o que ele quer dizer com isso, quando acusa a Europa e o PSD de professarem essa ideologia, mas sei que lhe fica bem. A cada passo, ouço amigos dizer que a culpa da crise é do neoliberalismo. Porquê? Não sabem. Apenas associam a falta de vergonha e de ética nos negócios àquilo que se poderia chamar ideologia neoliberal. Quando argumento que há falta de ética e de vergonha em negócios que não são comandados por nenhum neoliberal, mas por pessoas como Chávez ou o poder angolano ou o chinês; ou mesmo por boys do PS cá do burgo, acham que não compreendo inteiramente toda a perfídia e amoralidade que enferma o dito fantasma neoliberal.
Pois bem. Eu não sei se sou neoliberal, mas sou contra algumas das ideias que Sócrates tem vindo a propor. Por exemplo, a privatização da REN (Rede Elétrica Nacional). Não me parece bem que se entregue às mãos privadas algo que deve estar nas mãos da comunidade, ou seja, do Estado. Não sei se é neoliberal defender isto. Não sei como se classifica quem defende que a REN seja privada. E quem diz a REN, diz as Águas de Portugal, ou os CTT ou a ANA, que o Governo também quer privatizar.
Salvo o devido respeito, neoliberais serão essas privatizações. E pior do que neoliberais, elas serão promíscuas. Tal como a PT foi parar às mãos de privados que, pelos vistos, se estavam nas tintas para o chamado interesse nacional ou interesse geral (razão pela qual, num ato antineoliberal, o Governo usou a golden share, também estou em crer que as REN, ANA, Águas, etc. ficarão com uma supervisão estatal que continuará nesse paraíso onde Sócrates tão bem se movimentou e que se chama promiscuidade entre negócios e Estado, entre negócios e política - enfim, entre negócios e poder.
Ser contra essa promiscuidade é ser neoliberal? Sou neoliberal! Ser neoliberal é estar com o Governo a defender essas privatizações? Sou contra o neoliberalismo.
Entendamo-nos. Em vez de fazer a defesa enérgica de chavões, podemos descer ao concreto e falar claramente? Podemos? Podemos falar de coisas reais como esta: a PT devia ser do Estado? A CGD devia lá ter a maioria? A PT, sendo privada, deve estar dependente do que quer o Governo? Juro que não tenho respostas mágicas para nada disto. Mas sei uma coisa muito simples, uma coisa que não se compadece com ideologias: havia uma promiscuidade inaceitável, imoral e vergonhosa entre alguns grupos e o poder.
Se acabar, melhor para todos!

16.7.10

Ignomínias de Gananciosos e Impostores

Um governo minoritário ou composto por vários partidos em coligação – esta última sendo o comum nos países nórdicos mais democráticos – deveria produzir os melhores resultados, além de representar melhor os eleitores, pois que as maiorias que se têm tido têm sempre representado cerca de 40% dos votos, indo os restantes (a maioria) para o lixo.

Por esta e outras razões já várias vezes enunciadas [Vejam-se os links ao fundo do artigo], Portugal nunca teve um governo democrático, nem representativo, nem mesmo legal.

Ora, verifica-se de novo que a ganância das oligarquias mafiosas não permite uma verdadeira democracia. Assistimos em contínuo a uma guerra pelo tacho, pelo enriquecimento ilícito e pelo roubo impune (tudo à nossa custa), em que as armas são os resultados da desgraça nacional usadas nos ataques entre os figurões empregando palavreado dirigido a uma população de atrasados mentais incapazes de discernir a malvadez do que é justo ou a verdade da patranha. É nisto apenas que esses energúmenos contam para sacar os tachos. Iguais de todos os lados, o palavreado apenas muda consoante a ocasião.

Ultimamente, por um lado ouvimos o governo apresentar vários dados manipulados em seu favor sobre vários sectores de interesse, como a economia e a pobreza.

Por outro lado os outros mafiosos tentaram transformar os dados em apoio de críticas ao governo. Um deles, diferente por errado, foi a crítica do Paulo Portas de que uma diminuição registada da pobreza duma ordem de 0,1% era um agravamento. Ora, tendo em conta a recessão, esse resultado até deve ser equiparado a um milagre. Está bem longe do que se precisa, mas em evidente contrariedade com a afirmação do Portas.

O Sócrates tem-se visto obrigado – e muito bem – a engolir a sua arrogância ao felizmente ter perdido a maioria. Do lado do PSD e do CDS ouvem-se autênticas bestialidades desarrazoadas por desprovidas de sentido. Dizem que é arrogante como antes quando todos sabemos bem isso lhe ser agora impossível, ainda que o queira ou quisesse ser. É que há sempre os crédulos que ouvem sem ver nem pensar. A voz vai-lhes directamente ao coração sem lhes passar pela cabeça. Não será por isso que os germânicos dizem que os portugueses pensam com o coração e sentem com a cabeça? Bom, na verdade até dizem muito pior e mais grave.

Se tirarmos o motivo único destes ataques de ambos os lados – a ganância e o roubo impune – nada fica de útil. Estamos num país sem igual na Europa, onde os mais favorecidos ganham seis vezes menos que os outros, ou vice-versa. Alguém ouviu algum partido ou jornaleiro dizer ou fazer algo para fechar o fosso? Alguns dos últimos aludem por vezes, envergonhadamente, mas para eles não dá para os scoops da coxinha com música de pranto ou outros com maior encenação.

Ou melhor, sim, houve dois que apontaram a essas diferenças tão exageradas. Um foi o Pedro Coelho a gozar a população com uma proposta quase envergonhada de diminuir os ganhos dos que mais auferem em 5%. Gozar, porque entre 5% e seis vezes, apenas no seu ver de ganancioso, pode ser adequado. Não obstante, ainda ontem se ouviu na Lavandaria Nacional um alarve apregoar que os portugueses podiam contar com o PSD. Viu-se e continua a ver-se como.

O outro que condenou as diferenças exageradas foi o Hernâni Lopes, um velho que, por o ser, por se ter retirado da luta partidária e por já não ser atingido por qualquer medida do dessa ordem, alvitrou mesmo reduções de 30%, muito mais justas.

O esbanjamento do nosso dinheiro pelas associações de criminosos tem de acabar. Mesmo que difícil quando os mais altos cargos da nação estão ocupados pelo pior primeiro-ministro de sempre, e pelo segundo pior. Aquele que permitiu o roubo dos fundos de coesão que deveriam ter preparado o país para enfrentar o futuro; e o aldrabão e vigarista que o tem secundado com na destruição do país. Pior é só não haver quem os substitua. Que desgraça!

Após a ordinária e pulha da Manela Leiteira temos um velhaco finório bem treinado em sonsice. Diga-se em abono da verdade, que se os portugueses tiverem capacidade para discernir – e até agora tem-se provado o contrário – tudo é preferível à bruxa que ele substituiu. O grande mal do Coelho é apenas ser um extremista em neoliberalismo, o que implica o inexorável aumento do fosso entre mais ricos e mais pobres e um maior afastamento democrático da Europa em prejuízo dos últimos. Tirar aos que menos têm para dar aos que mais têm. Estranho, que os raros que se encontram no meio possam continuar que jamais serão atingidos, mesmo com o que nesta altura presenciamos.

Calma, estamos ainda longe do fim e muitos deles irão ainda ficar desempregados. Os partidos nada farão senão utilizar esta questão incontrolável para propaganda. O governo mostrará que fez muito e bem e a realidade dirá se sim ou se não consoante a miséria aumente pouco ou muito, embora um aumento seja inevitável. Os outros esperam pelo aumento para acusarem, mesmo se ele for relativamente pequeno. Não é uma previsão, é a própria lógica mesmo, a sequência dos factos aliada ao conhecido procedimento das corjas. De qualquer modo, não terão grande dificuldade em derrotar o governo, visto tradicionalmente nenhum consiguir ultrapassar uma crise financeira que aumente muito a miséria nacional.

Pelas ideias, idiotas mas prenhas de malícia, com que nos bombardeiam, pode deduzir-se sem margem de erro que, à parte as diversas seitas mafiosas a que pertencem, os métodos das oligarquias são absolutamente idênticos, tentando manipular os casos à medida das suas conveniências consoante forem aparecendo e de que lado o vento sopre. Apenas se preocupam em mentir para atraiçoar os que, estupidamente, continuam a votar neles. O seu procedimento é análogo ao de qualquer associação de criminosos.

Estes métodos são, ainda assim, compreendidos por um certo número a quem repugnam e provocam desinteresse e abandono do voto. Vêm a inutilidade da escolha e abstêm-se. Não é todavia assim que se conseguirá virar o bico ao prego. Há que martelar no prego com força e acerto. Há que dominar a besta, pôr-lhe açamo, rédea curta, fazê-la passar fome e chicoteá-la, coisa que nem aos animais de carga se deve fazer, porque esta besta que nos rói a alma e a carne, ou a dominamos mesmo ou ela nos deixa com os ossos limpos de cerne e de pele. Procedamos antes que até o tutano nos chupe, que depois já não haverá salvação. Se a bem não for possível, a mal terá que ser. Assim é que não se pode continuar.



Este e outros artigos também publicados nos blogs do autor (1 e 2).


A Du Barry do Héron Castilho

Imagem do Kaos

A assistente social sempre me disse que eu tinha um ligeiro atraso mental, mas também se recusou, sempre, a quantificar-mo.
Viver com isto, uma vida inteira, gera uma profunda angústia, só equivalente à dos dois amores do Marco Paulo, que deve passar o tempo todo a pensar se o outro terá, ou não terá, uns centímetros a mais, ou só será um pouco mais curto e grosso.

Finalmente, tive hoje uma revelação, creio que só comparável com a de Maria, quando descobriu que estava prenhe, depois de ter andado a mergulhar numa piscina mal desinfetada da Galileia. Toda a gente conhece a história da menina de família, que engravidou numa piscina pública, e do mal estar que isso provoca, quando tem de ser comunicado à família, já que ninguém... quer dizer... até que inventem uma lei, pode casar com uma piscina. De aí o mito do Espírito Santo, numa altura em que a Moody's ainda não lhe tinha baixado o "ranking", o que quer dizer que tinha pau suficiente para emprenhar uma esgroviada de uma mulher de carpinteiro, que não tinha onde cair morta, e a quem saiu a sorte grande de um banqueiro cego dos olhos e dos cornos.

Não se chateiem comigo, porque está tudo nos "Evangelhos", esse folhetim de maus costumes, como dizia o sucateiro que está agora a arder no microondas de Nosso Senhor Santo Lúcifer, mas vamos adiante, porque a minha revelação foi ter subitamente percebido, que de há 5 anos para cá, andava a julgar o "Engenheiro" Sócrates pelo seu caráter, aliás, falta dele, e não pelos seus atos, enquanto "Primeiro Ministro".

Esta coisa, da onomástica e da toponímia, tem muito que se lhe diga, porque quando chamamos, naturalmente, "Poli", "Leão" ou "Licas" aos nossos cãezinhos, é por que eles têm ar de Poli, de Leão ou de Licas, assim como Sócrates se foi confundindo com a falta de caráter de Sócrates, ao ponto de, quando falavam de "Primeiro Ministro" eu ter sempre uma branca, e ter de ir à mnemónica, para me lembrar de que o significante "Sócrates" e "Primeiro Ministro" tinham o mesmo referente, embora divergissem, abissalmente, no significado, porque, como sabem, "Primeiro Ministro", num país civilizado, pode ser sinónimo de tudo, menos de trafulha, mentiroso, anémico de caráter e todas as pequenas gentilezas que compõem, à Teofrasto, a estátua interior do Vigarista de Vilar de Maçada.

O problema foi quando o meu "annonce faite à Arrebenta" começou a deslizar para os lados, e a ouvir falar também de "Presidente da República", o que, igualmente, pressuporia um estatuto pró majestático, já que ninguém se pode dar ao luxo de apear um Rei para colocar no seu lugar um levantador de bainhas. Acontece que "Presidente da República" e "Aníbal Cavaco Silva" eram, do mesmo modo, dois diferentes significantes para um mesmo desgraçado referente, o que só podia ter um tremendo significado: no ano de 2010, o Estado Nação Português estava a ser governado por dois sucateiros, da pior extração, com um currículo de crimes de lesa pátria inenunciável, associado à destruição do esqueleto do seu País, por permissão, omissão, ou cumplicidade no desvio de dinheiros público, paternidade na ascensão dos piores caráteres a postos chaves na estrutura produtiva, económica, financeira e cultural da Lusitânia, e que a coisa continuava alegremente, com "ambos os dois" a declararem que se sentiam, os pobres, muitas vezes, como se "estivessem sozinhos a puxar a carroça"... para o fundo.

Por acaso, não estão sozinhos: há ainda o Jaime Gama, a segunda figura do Estado, que tem ar de nádega, e que nunca ficou desassombrado de andar nas festas da "Casa dos Érres", mas, quando vamos riscando os nomes, invade-nos uma indescritível sensação de solidão, acrescida do Garrafão de Águeda, que, como sabemos, acabará como numa sequência do "Pátio das Cantigas", a cambalear e a cair, batendo com a cabeça no passeio, e ficando lá a sangrar, até passar, pela madrugada, a carrinha do lixo. Como a Maria Antonieta mandou os outros comerem, brioches, quando não tinham pão, este está pior: manda-os ler Camões. A gente vai ler, pá, acredita que sim, juro... quando tu tiveres desaparecido do mapa.

Eu sei que é chover no molhado, mas, quando o Procurador Geral da República, uma figura do Poder Judicial que é cooptada pelos interesses dos partidos que arruinaram Portugal desde 1974, vem insinuar que seriam precisos muitos anos para saber tudo sobre tudo, eu dou-lhe razão, e até posso quantificar: para os 900 anos de trafulhices em que tivéssemos andado, talvez precisássemos de outros 900, para investigar. Todavia, no que respeita aos abusos, omissões, transgressões, agravos, crimes contra o Estado e afins, cometidos depois de Abril de 1974, talvez precisássemos de um tempo como que o nos separa das Pirâmides, e iríamos ficar com o país totalmente deserto.

Há uma alternativa para isto, da qual não gosto, mas que, de quando em vez, acontece na História, que é haver uma multidão que se passa dos carretos, e vai, de porta em porta, a limpar, indiscriminadamente, quem lhes aparece à frente.

Isso é mau, por causa dos danos colaterais: Lavoisier teve de subir à mesma guilhotina a que subiu a Du Barry, que tinha arruinado a França, com os seus tiques de peixeira, e quando deram conta do facto, já era demasiado tarde.

Aparentemente, há um impasse e uma conjunção de sinais que anuncia que algo de grave pode brevemente acontecer nas ruas, sejam essas ruas scut ou não scut: é aquele momento em que as massas, já tendo perdido tudo, descobrem que não têm mais nada a perder, e têm a mesma iluminação do que eu e descobrem que o Primeiro Ministro, para além de mau caráter, também nunca foi Primeiro Ministro, mas apenas um Primeiro Mau Caráter, a juntar a tantos outros, alimentado por forças do vazio, e, quando esta identificação acontece, os "ça ira", de barrete frígio, rebentam as portas, umas atrás das outras, e vêem, em cada uma, uma incarnação da detestável figura.

"É então uma revolta?... Não, Sire, é uma Revolução".


(Isaltinada, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

13.7.10

O GRANDE PLANO!


Enquanto os cidadãos se preocupam com as suas parcas economias, os governos preocupam-se com os resultados da macro-economia, embora todos a toque de caixa do mundo financeiro!

As pequenas economias baseiam-se nos prazos curtos, que só as grandes aquisições de uma habitação desafiam.

Até o simples trabalhador dependente fez o desenvolvimento do seu nível de vida, baseado em rendimentos futuros, aprendendo um pouco de finanças!

Todos aceitaram viver para melhorar o padrão de vida, gastando hoje o que se vier a ganhar amanhã, esquecendo o tempo do ganhar primeiro, para gastar uma parte no presente. Esquecemo-nos da sustentabilidade económica (presente) e começou-se a pensar mais em termos de sustentabilidade financeira (futuro)!

Contudo, se deixarmos de ter o rendimento que esperávamos, sem acautelar a perda dos futuros, só nos resta vender os bens usados, tentando passar o ónus a outros, se houverem interessados, ou então é a ruína, numa situação de falência global dos mercados financeiros. A finança deixa de alimentar a economia, obrigando ao decrescimento das transacções, o que nos conduz ao empobrecimento ou à estagnação! A regulação começa no dia em que as finanças baixam as expectativas económicas e invertem a tendência das concessões aos privados e aos Estados; é a crise!

Porque o crescimento económico foi feito com recurso ao endividamento progressivo (crescimento do défice orçamental e da dívida), chegou o momento em que o rendimento gerado pelo crescimento económico, com manutenção das produtividades, não foi suficiente para liquidar sequer os juros da dívida contraída, que começaram a pesar fortemente nos orçamentos, que se tinham projectado para um desenvolvimento não sustentado, à medida dos sonhos de grandeza dos políticos, instigados pelos executores de obra!

E aqui entram as opções políticas; ou se diminui o ritmo de desenvolvimento do País e até se empobrece o nível de vida, regredindo nos avanços sociais, com custos enormes, ou se mantém o nível atingido, racionalizando gastos, remunerações, o funcionamento dos serviços e a manutenção do património, transferindo-se a poupança para o pagamento da dívida; significa reduzir investimento e orçamentar rigorosamente uma margem de maneio, para fazer face a necessidades não previsíveis, que acabam por realizar o défice orçamental crónico. Significa também aplicar uma justiça social efectiva, diminuindo diferenças salariais e aplicando os mesmos privilégios e regalias a todos! Significa, por último, uma mentalidade de responsabilidade, na gestão da coisa pública, ao serviço dos contribuintes e não dos servidores do Estado, o que implica a participação dos cidadãos nos corpos administrativos das instituições locais!

O que fizeram os governantes portugueses?

O que começou a ser hábito, no cenário do pós-25-de-Novembro! A velha burguesia económica procurou aliados nos Partidos políticos, alternativos de Poder, financiando campanhas, projectos de desenvolvimento privado, geridos pelos habituais das lides eleitorais, com o objectivo do retorno em obras públicas.

Encontraram muitos aspirantes a “novos ricos”, que enriqueceram num ápice. O povo português pagou as obras, o enriquecimento pessoal dos decisores políticos e ficou ainda responsável pelo pagamento das dívidas.

Mas eis que os actuais governantes são chamados à barra do endividamento excessivo e têm de fazer um golpe de rins; como continuar a alimentar a ganância dos seus patrocinadores e como evitar serem queimados no fogo da revolta popular?

Fácil; continuaram a desorçamentar despesas e a vender património público. O povo não faz grandes compras, não sabe o que é o nosso património comum e não estuda o orçamento, como também está bem vendado pela comunicação social, que debita apenas o que alimentar a confusão!

Assim, foram desorçamentando, criando empresas públicas, em trânsito para privadas, onde se refugiaram todos os queimados das contendas políticas partidárias, na qualidade de gestores de topo, para abrirem o negócio à participação accionista dos velhos financiadores das campanhas eleitorais. Quer dizer, tudo o que é negócio apetecível do Estado, começa-se por dizer que só dá prejuízo, depois cria-se uma parceria público-privado, que cria mais prejuízo, enquanto se habitua o povo consumidor ao serviço disponibilizado. Quando menos se espera, anuncia-se mais uma catástrofe financeira, para lançar mais taxas e preparar a desvinculação do Estado, autonomizando-se mais um negócio privado. Acontece isto com o plano rodoviário de construções de Auto-estradas. O Estado (nós, obrigados pelos governantes) lançou negócios, desenvolveu-os e entregou-os, de mão beijada, aos controladores dos políticos de meia tigela, que proliferaram em Portugal, à procura de fortuna pessoal, baseados na prostituição ideológica!

De facto, somos carentes em políticos e muito mais em estadistas, o que abre caminho para os oportunistas fingidos, apostados apenas nas negociatas privadas e na traficância de influências! Que se ramificam por todas as instituições, às quais se dá autonomia, para que usem como bem entenderem, ao sabor de critérios pessoais e interesses duvidosos, que fazem regras diferentes de local para local, na forma de regulamentos à medida dos mandantes, sem a participação dos pagadores do sistema, que passam a ser parasitados. Entretanto, o vício faz alguns pequenos ditadores almejarem pela regionalização, como forma de terem um condado feudal para si e para o seu grupo de amigos, onde possam mandar!

Por isto, temos hoje um sistema ideologicamente descaracterizado, pautado apenas pelo interesse pessoal e dos grupos dominantes, em que a esfera económica comanda o Estado e prepara-se para desferir o golpe final, que faria corar de vergonha o pior capitalista do século de Marx!

A troco da falta de solução para a crise, propositadamente gerada, o Estado vai ser desmembrado e vendido por preço simbólico aos privados, nas partes que o sustentam economicamente e são o garante da sua autoridade, para fazer cumprir o Bem comum.

Finalmente, a política de nacionalizações conduziu à política de privatizações e a família Espírito Santo e congéneres ficam satisfeitas pela vingança de uma geração, que viu os seus progenitores limitados pela mania estatizante de Salazar!

Contudo, as vinganças nunca foram boas conselheiras, por serem o fim de um ciclo de trabalho, a perverter a democracia e o funcionamento económico, colocando o negócio e o Estado ao serviço dos gananciosos e não ao serviço de quem os paga, que são os consumidores e os cidadãos eleitores!

Agora, os herdeiros do antigo regime querem privatizar, o que o ditador quis que fosse do Estado, mandando encerrar escolas e outras instalações, que estiveram ao serviço dos mais desfavorecidos e isolados do interior. Andam já à procura de novos líderes e alternativas governativas aos actuais desgastados, procurando novos discursos e aparências pessoais, que nos enganem com palavras, mas ainda com o defeito de se contradizerem, em função do agrado ou desagrado causado na opinião pública e medido pelos controladores de sondagens!

É uma pena que o povo seja o que é, habituado a pensar pouco e a gozar o que permitirem, uns na qualidade de espectadores e outros na qualidade de aproveitadores, por deterem o exercício de um qualquer Poder; contudo, existem sempre lutadores por ideais, capazes de fazerem a revolução, que se impõe.

O sonho de um País melhor começa a ser mais real, porque o acordar é sempre mais violento, sobretudo quando nos sentimos traídos pelos que nos prometeram Liberdade, Justiça, Democracia e Felicidade para todos!

Desta vez os descontentes são do povo e portanto os revoltosos, sem que os aspirantes a burgueses possam ser instrumentalizados pelos gananciosos, porque já o são e foram convidados para desencadear o 25 de Abril; só quem está mal tenta mudar. Como só os bons portugueses é que estão mal e se sentem mal, resta-lhes fazer algo pela revolução, de modo que o resultado possa ser bom para Portugal e nos conduza ao Bem prometido.

Desta vez, serão julgados todos os traidores, apátridas, egoístas espertos, gananciosos e anti-sociais corruptos, por tudo quanto nos roubaram e pelo que nos enganaram, em proveito próprio!
Related Posts with Thumbnails