28.7.08

Subserviência nem sempre paga dividendos

Apesar de a cimeira da CPLP ter aprovado uma importante resolução em que os oito signatários assumem o compromisso de promover e valorizar o português, ela foi ensombrada pelo desinteresse que Luanda e Maputo lhe votaram.

Angola fez questão de se sub-representar:
- Na cimeira de chefes de Estado esteve o primeiro-ministro Fernando Dias Santos em vez de José Eduardo dos Santos.
- Na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros não participou João Miranda, o chefe da diplomacia, mas antes o seu número dois, Jorge Chicoty.
- E até, num encontro de embaixadores, o representante de Luanda em Lisboa (Assunção dos Anjos) foi substituído pelo embaixador angolano em Bissau!

Maputo somou à ausência do Presidente Guebuza a da primeira-ministra Luísa Diogo, atirando assim o acidental MNE de Moçambique para a fotografia oficial da cimeira, ao lado de Lula, Cavaco e do Nobel da Paz Ramos-Horta.

Quanto a Angola, isto faz recordar o que se passou em Lunada uns dias antes, durante a visita de José Sócrates, o qual, na sua habitual linguagem hiperbólica, manifestou uma subserviência ao homem rico do petróleo, dos diamantes, dos minérios, da agricultura e pecuária e das pescas, de uma forma exagerada, como ficou descrito no post «A todos os títulos notável». Lamber botas nem sempre paga dividendos. Neste caso, Eduardo dos Santos não teve a mínima gratidão pelas palavras que lhe foram dirigidas. Esperamos que, para a boa imagem e dignidade de Portugal, este caso sirva de exemplo e de lição para futuras relações internacionais.

23.7.08

Ali Bábá e os seus 40 amigos

Hoje saíram várias notícias que me puseram a pensar. Caso raro...

Petróleo cai 20 dólares numa semana e meia
- in agência financeira iol
Comentário: E os preços dos combustíveis em Portugal? Onde está a Autoridade da Concorrência? De férias?

Galp baixa preço da gasolina e do gasóleo
- in agência financeira iol
Comentário: 1,4 cêntimos no gasóleo e 2 cêntimos na gasolina é para atirar poeira para os olhos dos burros. Quanto o crude sobe 2 ou 3 dólares ELES sobem 2 ou 3 cêntimos. E agora? Ficam por aqui? Então afinal Sr. Presidente da Galp, não é o mercado que regula os preços?

Combustíveis vendidos nas grandes superfícies são diferentes dos postos tradicionais
- in agência financeira iol

Comentário: É verdade!!! São mais baratos!!! Este Sr. Augusto Cybron só deve comer caviar. Os meus carros nunca se queixaram. Mas tb eu só faço 300 kms diários!!! Os hiper não são controlados na qualidade? Claro que são. O problema é que as GRANDES só querem é vender mais caro. Diesel Plus....combustível XPTO o tanas. Paga-se mais por algo que não dá mais economia e não é mais do que gasóleo aditivado com gasolina e óleos. Já agora.....os combustíveis da galp têm 3% de biodiesel incorporado. Que eu saiba fica ao prço da chuva produzir bio. E os preços são iguais. LADRÕES!!!

22.7.08

Der Prozess

Lamento desiludir-vos, mas não vou falar do assunto do dia. Neste preciso instante, dividimo-nos entre os que estão a cair de podres e os que estão a cair de férias. Uma qualidade, dada a nossa natureza profunda, que nem sequer impede a outra.
Pessoalmente, não vou para Praga, embora Praga seja uma cidade maravilhosa, filha de duas esquizofrenias: um tempo áureo, e barroco, e um tempo, crepuscular, que, aliás, partilha com Viena e Bruxelas.
Há um amigo meu que diz, e com imensíssima razão, que Franz Kafka, pertencente à segunda metade de Praga, caso tivesse vivido em Portugal, nunca teria tido tempo para escrever um só livro que fosse, dada a necessidade de tempo inteiro, para deslindar o seu quotidiano... kafkiano. Obviamente, isto é uma "boutade", já que a realidade é bem pior: da minha longa frequência daquela fabulosa História de Portugal, vermelha e conservadora, que o meu pai continua a ter nas suas longas estantes, há dois episódios de que me recordo, e que são, como Borges diria, um só: a imagem de D. Sebastião, à janela do Paço, a pegar-se de insultos com a arraia miúda, que, lá em baixo, no terreiro, atirava pedras uns aos outros, e uma outra, bem posterior, do magnânimo D. João V, o papador de freiras -- a família é para procriar... -- sentado, diante de uma janela, a ver a criançada, em baixo, a atirar pedras... uns aos outros.
Nunca passámos, nesta Mansão do Tédio, de atirar pedras uns aos outros.
Qualquer divertimento acima deste é demasiado subtil para o Genoma Português. Vasco Pulido Valente, em quem só admiro o brilho baço da escrita, geralmente encaracolada em redor de paradoxos, ou seja, fixada na forma, e desprezando quer o conteúdo, quer o leitor, enfim, o narcisismo, enquanto Língua, disse, algures, que nós não gostávamos de Liberdade, mas, sim, de Igualdade.
Já noutro lugar escrevi que a Igualdade Portuguesa é tentar pôr o vizinho do lado a ter tão pouco como nós, e Sócrates e a sua canalha exploraram isto até à exaustão, conduzindo o país ao presente estado de desestruturação social. Qualquer sistema, que ousasse separar o Puro do Impuro, mediante a aplicação de um sistema elementar, mas universal, de leis, seria, para o Português, uma pura violência, porque converteria o justiçado num primoroso acima do amnistiado pelo Tempo.
O Tempo, aliás, é fundamental no psiquismo jurídico português: houve uma era em que apanhar uma multa de trânsito desencadeava o pavloviano reflexo de a atirar para o fundo de uma gaveta, na expectativa de que viesse a amnistia do Natal, da visita da Irmã Lúcia, ou do aniversário da Elsa Raposo.
Uma das vítimas mais célebres da coisa, e isto passava-se nos píncaros da nossa Cultura, enfim, não nos píncaros, mas no topo de uma época morna, como ele próprio confessava, em que não havia grandes mitos que contemplássemos para cima, e falo de Cesariny, Cesariny frequentava um cinema porno em Paris, na época épica, em que os heterossexuais iam fazer o que outrora se fazia nos Banhos Romanos: "profiter" da escuridão, para que os acontecimentos se dessem. O cinema era exótico, e falo de uma Paris que nunca conheci, de há 50 anos atrás, cósmica e surreal, cheia de pequenos episódios do quotidiano... o cinema, dizia eu, tinha dois turnos, o de dia, em que eram as coisas entre homens que imperavam, e o da noite, em que, de quando em vez, as mulheres invadiam a plateia, para participar nesses pequenos satíricons, à la française.
A Escuridão é má conselheira, e embriaga-nos, pelo que, quando o Cesariny se sentou ao pé do garanhão, estava esquecido de que tinha mudado o turno, e tal como o Georges Michael foi apanhado, por um "infiltrado", a fazer uma mamada nos chichis da Califórnia, já 50 anos antes o Mário foi apanhado com a boca no trombone, porque, mal se apilcou ao instrumento, as luzes da sala acenderam-se e ouviu-se a voz "prendam-me este senhor!..."
Ser preso por estar a fazer um broche é uma coisa chata, em qualquer parte do Mundo, desde a nossa A5 até à Casa Branca, mas a verdade é que o Poeta lá seguiu para a sala de tribunal, onde, após a identificação, e se ter visto que era Português, os magistrados imediatamente tentaram ver-se livre dele, porque, para paneleiros, bem bastava a longa tradição francesa...
O Mário, coitado, não se apercebeu de que estava no Sistema Francês, de Raiz Napoleónica, e imbecil, como todos os neoclassicismos jurídicos, que acabam sempre por ser fundamentalismos morais, como o ferreira-leitismo, e acham que vêm introduzir alguma ordem na longuíssima tradição de excessos que é a Natureza Humana. Entre Napoleão, e a sua picha mole, estava uma batelada de leis, chatas e poeirentas, que teriam impedido o irmão do Rei, Duque de Orleães, de ser tratado, não por "Monsieur", mas por "Madame", ou o velho Abade de Choisy de escrever a fabulosa epígrafe das suas "Memórias", a frase mais libertária e espantosa, até Sade, que a mão humana já redigiu:"Cultivei a Natureza nas suas duas encarnações, a Feminina e a Masculina, mas sempre no registo dos seus extremos".
Pôs-se, então, a fazer o que fazia em Portugal, olhar para o relógio, à espera das 17.30 h., que era quando os tribunais tocavam a sineta da Função Pública, e as faces austeras se convertiam nos saloios pais de família, toda a gente se agitava, e era a hora de ir para casa, deixando tudo a meio. "Amanhã há mais", entre duas cervejolas e uma baforada de café.
Paris não funcionava assim, e, por mais argumentos que os advogados de defesa lhe dessem para que lhes tirasse o menino morto das mãos, o velho Cesariny, irreverente, teimoso, e escandaloso, nesses tempos, insistia em ficar calado, e dizer, "não tenho nada a alegar em minha defesa, só estava a chupar este senhor no cinema...", enquanto olhava para o relógio da sala, à espera das promissoras... 17.30 h.
Chegadas as 17.30 h., apanhou, em cima, com uma condenação napoleónica por actos contra a natureza praticados em lugar público, e uma inibição -- porque em França nunca houve... "disso" -- de pisar território sarkoziano durante umas eras.
Aqui, saltamos no tempo: já não é o poeta irreverente, que fora buscar Bréton no seu reduto, mas o homem consagrado, a quem a RTP ia dedicar um documentário, por acaso, orquestrado pela nossa amicíssima comum, Maria Elisa Domingues. Ao chegar à fronteira gaulesa, e ao passar o passaporte na base de dados, disse-lhe o guarda, aliás, disse à comitiva inteira, jornalistas, homens da câmara, convidados... "este senhor não pode entrar..."
Era o Ferreira-Leitismo Napoleónico, incrustrado de décadas, a manter incólume um obsoleto registo.
Abreviando a história, a coisa descambou em conflito, que teve de ser resolvido por via diplomática.
Desde então, a França evoluiu horrores, como diria a Betty Grafstein, e nós ficámos na mesma, aliás, estamos piores, porque já decorreram 50 anos sobre esse ansioso olhar para o relógio, à espera de que as 17.30 h. nos livrassem do pesado fardo da encenação da Justiça.
Hoje, mais uma vez, Portugal inteiro se pôs a olhar para o relógio, e, quando soaram as 17.30. todos pudémos soltar um suspiro de alívio e voltar às nossas pequenas e humilhadas vidinhas: felizmente que aquele caso, tão cheio de odores de cadáver, nunca existira. Real era apenas a plateia mundial, de olhos esbugalhados, a fitar 10 000 000 de ingénuos assobios para o ar...

20.7.08

Ferreira Leite, Cavaco e Biancard Cruz. A Nova Ordem Interna: Ajoelhar e Servir

Imagem do KAOS
Aproveito, antes de mais, para saudar todos os leitores dos nossos blogues comuns, e publicitar o novo espaço dos "The Braganza Mothers".
O que aí vem, meus amigos, é mau, lúgubre e sinistro.
Várias vezes me interroguei sobre o dia em que deveria cessar a nossa intervenção cívica, e a sociedade, plural e democrática, começar a deixar exercer, por si mesma, a sua dinâmica de acção própria. Infelizmente, Portugal entrou num estado de catalepsia social, que leva a que cada vez mais consideremos afastado o nosso objectivo. A canalha que, desde Durão Barroso, nos governa conseguiu algo de portentoso e extraordinário: fez, como muitas vezes se faz, nos hospitais, colocar o País num coma induzido. Acontece que, agora, por mais safanões que lhe dêem, ele está morto, e próximo da morte cerebral.
Durante os longos e penosos anos do Socratismo, várias vezes me perguntei sobre se seria este o cenário final, o Pior do Pior. Com a entrada de Ferreira Leite em campo, descobri que ainda podia haver um patamar inferior, chamado Eixo Cavaco-Leite, ou Eixo Cavaco-Sócrates-Leite, ou Eixo seguído de um chorrilho de palavrões, se isso vos satisfizer melhor.
Considero Ferreira Leite das coisas mais sinistras que o nosso Espectro Político produziu, só a par com o horrível Proença de Carvalho, e acho que com esta comparação já digo tudo.
Nas últimas semanas, com a inversão na Comunicação Social, que, subitamente, tirando alguns redutos de isenção, como alguns noticiários da RTP2, ou a RTP-Norte (a única que ainda consigo ver), resolveu vingar as espingardas contra Sócrates, começámos a ver o Boneco de Vilar de Maçada muito embaraçado, talvez porque não esperasse que o Patrão de Bilderberg, Balsemão, lhe começasse a tirar o tapete tão cedo. A verdade é que o está descaradamente a fazer, e só para alguém que esteja com a sensibilidade muito avariada é que Manuela Ferreira Leite é alternativa ao que quer que se ja.
O problema português é grave: com o decapitar do 25 de Abril, passámos a ter um país politica, cultural e economicamente acéfalo, com a pequena particularidade -- nós temos sempre uma cereja no topo do bolo, pior do que as inimagináveis... -- sem cabeças culturais, políticas, nem económicas, mas obscenos pescoços degolados, infestados de piolhos, com os quais somos obrigados a conviver, e que nos atiram, de dia para dia, cada vez mais para trás, no tempo e no espaço.
Quando Ferreira Leite tocou na tecla, obsoleta, da Moralidade dos Costumes, com a célebre história dos casamentos e das segregações (fala disso a mãe, divorciada, de um traficante toxico-dependente, que "a Família é para procriar"...), desde logo me soou uma sineta interior sobre que Manuela Ferreira Leite não era só o que parecia: ela era uma fachada de coisas bem mais lúgubres, que a sustentavam, como já defendi, com unhas e dentes, no Blogue Anti-Cavaco, onde, com todas as energias afrontei Cavaco Silva, e as Forças das Sombras que o apoiavam.
Não me enganava: Cavaco representa, no nosso horizonte, uma regressão, em bruto de 50 anos. Cavaco e Ferreira Leite serão, no seu todo, um século inteiro, a andar para trás.
A cereja no topo do bolo veio hoje, com a revelação -- "I'm sorry, sigilo de fontes... -- de que Biancard Cruz, muito conhecido de outros ambiente, que não posso pôr aqui, mas vocês, se pensarem um pouqinho, lá chegarão..., ia substituir o Júdice na Frente Ribeirinha... Foi só escavar um pouco, e a figura, sinistra, da OPUS DEI, começou a emergir: vinha de trás, o célebre Número Dois de muitas coisas, desde o Guterres ao Sócrates e ao Júdice, para brilhar agora, em toda a sua luz negra.
O resto deste trabalho fica para os jornalistas fazerem: nós não somos jornalistas, somos os opinadores e meditadores de todas as horas, os que levantam os rumores, e apenas esperam que a Sociedade Civil os investigue.
Sr. Sócrates, acabou de lhe sair em sorte uma pequena trégua, a não ser, como corre em certos meios, que o Senhor também esteja próximo da... "Obra", o Senhor e a Bruxa que insiste em manter na Pasta da Educação. Até que se apure a verdade vai ter, todavia, uma pequena trégua. O assunto é agora entre nós, Blogosfera, e a Bruxa do PSD, mais o seu Mandatário para a Juventude... Biancard Cruz (!)
Srª. Manuela, se se tornar claro que as Forças das Trevas que a estão a sustentar, como conseguiram o "misérable miracle" de colocar um defunto empalhado em Belém, acautele-se. Se os seus suportes estão perto da Opus Dei, tome cuidado, que a luta irá ser feroz e os blogueres são como as árvores: morrem de pé.
Sr. Sócrates, ponha-se de lado, porque, agora, o assunto é entre NÓS e ela.

19.7.08

Processo ao estado por falta de justiça!!!

O pai de uma criança abusada sexualmente foi detido esta sexta-feira no Tribunal de Santarém, depois de ter injuriado e tentado agredir um juiz e dois magistrados de Ministério Publico, informou fonte judicial. O homem terá manifestado desta forma o descontentamento com a decisão que ditou a prisão por quatro anos e meio do abusador da sua filha.
Veja a notícia completa AQUI.

Ainda há quem se admire e diga que o Dr. Marinho (Bastonário) não fala verdade.
Os juízes não fazem justiça!!!
A justiça em Portugal é só para alguns!!!

EU APLAUDO ESTE PAI. Estou solidário!!! Desde já digo a este PAI que estou disponível para contribuir com 500€ para o Estado ser processado por não garantir justiça aos seus cidadãos.

Isto não pode ficar impune. Um pedófilo ser condenado a quatro anos e meio de prisão efectiva por quatro crimes de abuso sexual!!!!! QUE MERDA É ESTA???


E se fosse a filha de um político???
E se fosse a filha de um Juiz???


Repito: 500€ de contribuição para processar o Estado. E faz-me falta. Mas não aguento mais.

18.7.08

É preciso fazer algo...

Como é do conhecimento público eu ou o autor do documento "Uma Gota no Oceano chamado Portugal". Esse documento fez com que eu me aventurasse na blogosfera e criasse o Democracia em Portugal.
Todos os dias recebo imensos emails de cidadãos anónimos e tb de identificados. Uns insultam-me, outros dão-me os parabéns e contribuem com mais material para o blog.
Hoje recebi um email de parabéns, que agradeço. Esse email trazia tb um link. Esse link é de uma página web. E está perfeita. Cá vai:

Isto é o que é preciso fazer em Portugal

http://www.bozzetto.com/freedom.htm

Obrigado J.C.

17.7.08

Só em 2011? Sr. Sócrates, abra os olhos

O nosso 1º anunciou com toda a propaganda imaginária o acordo Renault/Nissan para a produção de Veículos Eléctricos (EV). O nosso 1º foi autor da embrulhada com os 30% do imposto que afinal não havia mas que se tentou colar a ver se passava...

É uma excelente ideia. Mas pq só em 2011? É assim tão difícil? A Europa já está cheia de marcas de EVs a circular.

A minha proposta ao Sr. 1º Ministro (se for honesto e realmente quiser mudar o estado actual do país):
- Legislem rápido de forma a que se possa importar EVs sem grandes burocracias;
- Legislem rápido de forma a que a legalização de um carro convertido para EV seja célere e pouco trabalhosa.




O 1º grande passo para demonstrar vontade de lutar com o país e pelo país é facilitar a conversão.
Fazer um EV é muito fácil. Vejam a quantidade de brinquedos EVs!!!
É mais limpo, poupa-se no combustível (não há combustão!!!), poupa-se na manutenção.
Facilitem a criação de pequenos centros de conversão para EVs.
O "Fúria Verde" é um exemplo a seguir.
Eu já penso no meu Carocha EV!!!

14.7.08

Privatizar a ordem pública???

Os recentes acontecimentos na Quinta da Fonte, no concelho de Loures veio levantar uma questão demasiado séria para ser deixada a soluções de travesseiro, sem a devida ponderação. A inspiração da noite bem dormida nem sempre produz as melhores soluções. Casos muito complexos devem ser estudados por equipas multidisciplinares e, neste caso, não podem deixar de ser ouvidos os responsáveis das Forças de Segurança e os seus técnicos especializados. Nestes casos dos tiroteios, as Forças Especiais das polícias estranharam não serem chamadas a intervir, pois estão treinadas para casos de grande violência entre as quais se inclui o uso de armas de fogo.

Estranhamente, esta notícia diz que o MAI anunciou um Contrato Local de Segurança, para cinco bairros, um deles o da Quinta da Fonte, para o que prevê negociações com entidades da sociedade civil, privadas e com os líderes das comunidades cigana e africana. O objectivo é "responsabilizá-los também pelo bairro". É realmente estranho que o MAI retire às Forças de Segurança esta importante missão do Estado de manter a ordem pública e a privatize. Será que está convencido de que esta será a melhor solução?

As forças policiais, nem sempre são respeitadas, sendo muitas vezes agredidas, apedrejadas, alvejadas com tiros, chegando a perder vidas. Perante estes casos, que o ministro não ignora, interrogo-me sobre o que poderá acontecer, a estes agentes civis, sem a preparação dos agentes policiais, e que ideia têm os assessores do MAI sobre as prováveis consequências desta decisão, não só para esses seguranças mas também para as populações dos bairros.

Talvez fosse melhor o MAI colocar uma velinha na igreja mais próxima. Poderia não ter melhor efeito, mas ficaria mais barato!

11.7.08

Sócrates, aldrabão ou simplesmente ignorante?

O Sr. mente, mente, mente...
Com muita pompa e forrobodó da propaganda o nosso 1º veio mostrar um acordo com a Nissan para a produção em Portugal de Veículos Eléctricos (EV). Eu até estava a achar interessante a ideia pois já era sem tempo de se optar por um transporte que já circula em muitas estradas da Europa à uns anos.

MAS.....

Depois "acordei" para a realidade ao ouvir o aldrabão. ELE disse que "está a estudar a forma de que os VE venham a pagar apenas cerca de 30% do IA dos restantes veículos..."

MAS.....

Na legislação em vigor os EV (veículos eléctricos pros burros que ainda acreditam nesta merda de governo) pagam ZERO de imposto automóvel!!!!!!

ZERO!!!!

Esta é a forma de criar um imposto de 30% e fazer propaganda de que se vai retirar 70% de algo que não existe. Pensem comigo: 70% de 0 é Zero. É este o desconto para os EVs.

Então eu traduzo as palavras do Pinóquio: "estou a estudar a forma de criar um novo imposto pois se esta merda for para frente tou f*****.... vou perder o meu tacho.... a GALP não vai gostar nada.... mas compensa com a EDP.... e depois crio um sistema de troca de baterias com aluguer à GALP.... é isso.... isto é bom negócio....."


Agora umas perguntas que vi num local que realmente se interessa pelos EV:
1. O que é que foi assinado exactamente (memorando???) Qual foi exactamente o compromisso? E prazos?
2. Que frota é que a Nissan vai apresentar? Micras e Clio VE ou aqueles de três lugares? São veículos urbanos ou mais generalistas? De onde saiu a tal autonomia de 200km? Existem mais especificações, nem que seja como objectivos a atingir?
3. Como é que funciona este tratamento das baterias como se fossem bilhas de gás?? É este o sistema que propuseram aos israelitas ou é um acordo daqui para incluir Galps e afins? Fará sentido restringir outras companhias a este formato para combater as críticas de autonomia?

4. Esta infraestrutura publica de carregamento seria gratuita ou paga? Aparentemente na Dinamarca e em Londres planeiam que seja gratuita até os VE's serem 15% da frota total.

Actualização do post:
Hoje dia 11 já há algumas notícias referentes a este facto. A QUERCUS já disse que o Pinóquio mente. No JN e no Público.

9.7.08

Comunicação Social VENDIDA. Abrir os olhos.....após 3 dias.

Foi no Domingo que colocámos aqui as facturas da fraude da Galp.
Estas facturas mostravam como a GALP ROUBA o povo que não é defendido pelos seus governantes. Clica na imagem para aumentar.

Só hoje é que vejo a Comunicação Social a fazer o 1º comentário a este facto. E não vale a pena dizerem que não sabiam porque todos sabemos que este blog é visitado por todos os redactores de jornais do mundo.

Fiquem atentos!!!!

Bragança não admite perder helicóptero

O presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros, Beraldino Pinto, não admite perder o helicóptero de emergência que o ministério da Saúde lhe tinha prometido. Se o "heli" for cancelado, o autarca considera que os protocolos celebrados com o Ministério da Saúde devem ser anulados e repostos os serviços encerrados, voltando à situação de antes deste Governo. Um contrato não pode vigorar se uma das partes recusa cumprir os compromissos assumidos.

O presidente do INEM admitiu, em declarações à "Antena 1", que podem ser desnecessários os helicópteros de emergência previstos para o Alentejo, Trás-os-Montes a Beira Alta.

Para maior esclarecimento do problema ler aqui, aqui e aqui.

Certamente, os transmontanos veriam o problema resolvido se imitassem os «poderosos» da Região Oeste que, sob a ameaça de «birrinhas» (ver post anterior), obtiveram o chocolate de apenas 197 milhões de euros. Ou será que o número de eleitores de Trás-os-Montes não é tão significativo como o daquela região? O que conta são os votos. É esse o factor que conduz à desertificação do interior: poucos votos levam a ausência de benefícios e, depois, a população emigra e reduz mais os eleitores, e a espiral de atraso agrava-se cada vez mais.

Será que a promessa do helicóptero de emergência não significa mais para a gente de Bragança de que a promessa de um aeroporto na Ota tem para os habitantes do Oeste?

Olha.........poupamos nas obras!!!

Depois da reportagem da TVI que dizia "Aeroporto da Portela tem espaço para crescer" vi o Sr. Presidente Pinto (aquele que fez um bom trabalho e que agora já ganha 1,2 milhões) ser entrevistado e quando lhe perguntaram (chapando na cara dele o facto de haver muitos espaços livres para voos) se estava lotado ele respondeu que não é só um problema de lotação, é um problema de estacionamento. Vi depois um mapa do local onde mostra que afinal a Portela tem mais terreno do que muitos dos maiores aeroportos da Europa.
Vejam a reportagem AQUI. Vale a pena.

Hoje consigo ler:
O Jornal de Notícias diz: TAP suspende 60 voos a partir de Outubro
No Público consigo ler: TAP poupa 20 milhões de euros com redução de 60 voos

Então só posso chegar à conclusão que:

NÃO É PRECISO NOVO AEROPORTO

NÃO SERÁ FEITO NOVO AEROPORTO

8.7.08

A política do chocolate

O jornal gratuito «Global Notícias» de 8 do corrente traz a notícia de que na «Região Oeste, Estradas compensam saída do Aeroporto». É um título estranho que nada beneficia a imagem do Governo.

Vão ser investidos na região 197 milhões de euros com o argumento de «compensar as populações pela mudança de localização do aeroporto da Ota para o campo de tiro de Alcochete». Vai ser alterado o panorama de acessibilidades da região.

Trata-se de um região que já tem a linha de ferro do Norte e do Oeste, irá ter o TGV para o Porto, tem as auto-estradas A1, A8 e A10 e o IC21, e agora, além de vários troços de ligação, vai também ter o IC11.

Vai correr-se o risco de uma tão densa quadrícula tipo urbano de avenidas e ruas largas, chamadas auto-estradas e itinerários complementares, irem prejudicar os muitos campos de golfe já construídos e a construir na região!!!

Pelo contrário, ninguém pensa nas acessibilidades de Vila Nova de Paiva para Tabuaço e Carrazeda de Ansiães, ou de Meda para Lamego, de Castelo de Paiva para S. Pedro do Sul, de Vale de Cambra para Lamego, de Oliveira do Hospital para Castelo Branco, de Penamacor para a Covilhã, etc. Nenhum governante pensa a sério no interior, ignora-o totalmente.

À Ota nada tiraram a não ser uma esperança que não se concretizou e que veio a comprovar-se que não passava de uma ilusão sem fundamento bem explicado. Mas o facto de tudo ter ficado na mesma, não justifica tão grande necessidade de novas acessibilidades. Um falso argumento. Tal profusão de comunicações seria menos ilógica se ali fosse construído o aeroporto.

Faz recordar o jovem pai que naquele fim-de-semana fica com o filho ainda criança e o leva a almoçar ao restaurante. O miúdo está mal-educado devido ao mimo dado pela mãe e pelo pai que lhe satisfazem todos os caprichos a fim de ele não fazer birra. Há entre eles uma chantagem mútua. Recusa a sopa e exige chocolate, senão faz birra, e o pai, para evitar tal aborrecimento, manda-o ir ao balcão escolher o chocolate que lhe agrada. Entre eles não há diálogo útil, não há capacidade de conversar sobre as vantagens da sopa e ensinar a criança a raciocinar de forma lógica e sensata. Desta forma não se educa uma criança e apenas se cria um monstro ou um potencial criminoso.

Esta «compensação» à Região Oeste é um fenómeno semelhante ao referido neste exemplo, é a «política do chocolate». Para evitar manifestações, como as dos camionistas, professores, etc., e a consequente perda de votos, dá-se o chocolate.

O que é muito sintomático é que o próprio Governo já não se apercebe do ridículo da argumentação e usa-a com uma naturalidade impressionante, preocupante, e nem dá conta que agrava a diferenciação entre o litoral já demasiado favorecido e o interior cada vez mais abandonado.

6.7.08

IVA a 21% ou 20% é igual............PALHAÇOS

Reparem nestas duas facturas.

Com oito dias de diferença, com a descida do iva o preço a pagar é o mesmo.

É ou não é roubar......? Existe explicação?
Clica na imagem para aumentar.

E agora Sócrates..... o IVA não ia baixar para ajudar o povo?

Quadriplicou ordenado e já é a favor do betão...

Presidente da TAP
Ordenado quadriplicou em 5 anos
Por Sónia Trigueirão

Fernando Pinto passou de 190 mil para 1,2 milhões de euros de vencimento anual.

O Conselho de Administração Executivo da TAP custa à empresa quase quatro milhões de euros por ano (...)
Notícia do SOL Online - Aqui!!!


Deputados Europeus é ké Tacho!!!!!!!

Deputados europeus assinam presença e saem logo a seguir

Video:



E ganham pouco ganham...



A Crise altera comportamentos

Desde sempre, as grandes catástrofes e as crises, mesmo que de âmbito menos grave, resultam em alterações de comportamentos com ajustamentos de procedimentos e adequação das despesas, cortando com consumos menos necessários ou facilmente substituíveis por outros.

Actualmente, as pessoas estão perante grandes elevações de preços desde as energias até aos alimentos imprescindíveis. A falta de treino nas contas dificulta uma adaptação rápida mas, mesmo com atrasos, ela está a aparecer.

Segundo diz o ditado «a necessidade aguça o engenho» e a capacidade de improviso e de desenrascanço da população está a evidenciar a sua engenhosidade na procura de soluções.
Hoje no Diário de Notícias e no Jornal de Negócios é tornado pública a grande queda do consumo de gasolina, principalmente a de mais octanas e um ligeiro aumento do consumo de gasóleo.

Isto representa que muita gente optou por deixar o carro parado e por utilizar os transportes públicos. E aqueles que não podem deixar de usar o carro, passaram a consumir gasolina mais barata quase deixando de ser vendida a aditivada e a preferir carros a gasóleo por motivo de economia. Por outro lado, diminuiu o culto do carro novo o que levou as vendas de carros a baixar significativamente.

O aspecto negativo do fenómeno, além de significar um amortecimento da actividade económica, é o risco de encerramento de muitas empresas que se dedicavam à venda de combustíveis e de veículos, com o respectivo aumento do desemprego. Mas as pessoas ao gerirem os seus problemas não podem limitar-se com essas consequências. Isso acontece sempre que há alterações económicas e tecnológicas; quando começaram a ser utilizados os automóveis, há cerca de um século, deixou de haver trabalho para os ferradores, construtores e reparadores de carroças e tratadores de cavalos. Há que fazer a reconversão das empresas que encerrarem e a reciclagem das suas actividades. A flexibilidade de emprego é cada vez mais frequente e exige dos trabalhadores mais capacidade e vontade de aprender novas tarefas em actividades diferentes. O progresso não se compadece com incapacidade de adaptação das pessoas. É bom que todos se compenetrem deste fenómeno e o encarem de modo positivo, construtivo.

É nas crises que é fundamental a possibilidade de adaptação a novos trabalhos, o improviso, a inovação e a competência que permita produtividade crescente.

Pequeno contributo para uma grelha hermenêutica, de pendor estruturalista, para uma melhor compreensão dos comentários dos blogues

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas
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É sabido que gosto de pairar nas Estratosferas: é a minha casa, o meu meio e o meu modo de ser. Não trocava nenhum telejornal, a não ser aquele, célebre, e esperado, do Dia do Juízo Final, pelos poucos minutos do "Clair de Lune", da "Suite Bergamasque", de Debussy.
Infelizmente, o quotidiano não é construído sobre essa infinita poética plural da flexão do tempo psicológico, como tão bem o definiram Bergson, e Proust ergueu à categoria de arte infinita, em "À la Recherche". Poderíamos prosseguir pelas citações, e referir aquele lugar comum, que, tantas vezes associamos ao mundo arcaico de Bruckner, esse pietista medieval, que conviveu com comboios, exposições universais, e invenções de Thomas Edison: no diálogo com Deus, o Tempo não existe. Poderíamos ir por onde quisessem, até se nos defrontar a Realidade.
Para nós, Noonautas, Blogonautas, ou Navegadores do Feérico, o cair na Realidade pode ser uma coisa tão elementar como uma mera linha, inserida numa caixa de comentários, depois de um belíssimo texto, de um poema apaixonado, ou de uma dolorosa confissão, em que alguém, a sombra, o objecto errático, o pequeno carrasco do teclado, destroem, com um pontapé despropositado, todo o enlevo da nossa acção.
Como num final de século, todos nós, nos nossos diversos meios, nos tornámos nefelibatas, e esperávamos que este Admirável Mundo Novo, que é o das Virtualidades trouxesse, à flor das águas, o melhor da Natureza Humana, o mito de Rousseau, e não a sátira de Voltaire, por mais que me agrade a segunda, e detrimento do primeiro, do qual a Vida me tornou essencialmente céptico. Mas, como Pangloss, e essa intocável língua viperina do Século das Luzes, que tentou trucidar um dos textos mais belos -- desculpem-me a confissão -- o "Discurso de Metafísica" de Leibniz, em paráfrase, direi que vivemos, com toda a ironia que isso possa conter, na melhor das Virtualidades possíveis, e aqui, eu, voltairiano na escrita, tenho de prestar homenagem ao grande Leibniz.
Nós, refugiados do mundos dos bits, somos, à maneira de Píndaro, a sombra de uma sombra, ou, já que vamos pela Cultura adentro, não passamos da nova memória da Caverna perdida, da alegoria de Platão, com a Caverna a ser aquele Real que tanto nos desiludiu.
Construímos formas, evocamos memórias, tecemos conjecturas e sofremos o refluxo das marés, na forma de comentários, que, num universo idealizado, deveriam ser a correcção, ou a resposta a um repto, em forma de monólogo, que lançámos, na forma erudita do texto. Algures, a meio de uma conversa, desconstruí um dos piores tiques da nossa convivialidade discursiva, que invadiu, em tempos, a atmosfera de todas as nossas conversas. No vazio do Discurso, como no vazio dos comentários, houve um tempo em que era moda inaugurar uma intervenção com um "É assim", como se uma conclusiva pudesse ser socialmente viável, no tempo exacto em que se entabulou um diálogo....
"É assim" é uma das mais pobres expressões emocionais que poderá invadir qualquer debate de ideias, mas é, como muitas vezes pude presenciar, a Lei do Mais Forte, aplicada, através da Violência da Emotividade, à frágil teia da Argumentação.
"É assim" está, para o Espírito, como um bíceps tatuado para uma aparição de Daphné, no momento exacto da Aurora, e as nossas caixas de comentários, repercutindo todos os vícios da Atmosfera, estão cheias de insuportáveis "é assins", onde qualquer argumentação posterior se torna irremediavelmente impossível.
Um guião para uma consulta das caixas de comentários poderia ser uma importante sugestão para quem reflecte, há muito, e a sério, sobre todos os fenómenos da virtualidade. Por ser tão contestado, poderia aqui invocar Paulo Querido, e acho que seria uma boa pessoa para desafiar. Tudo o resto, no meu texto, não é mais do que um breve guião, na forma estruturalista, para ajudar à complexa estrutura dos comentários. Para os especialistas em Teoria da Literatura -- não é o meu caso -- que tenho uma formação científica dura, todos os argumentos, por exemplo, se resumem a um número finito de formas, assim como, numa topologia ensaiada, todos os comentários se reduziriam a um número finito de estruturas. Deformando Anah Arendt, ao substituir o papel tradicional da Realidade, a Noosfera está para a Atmosfera como a Escola para a Família, ou seja, falhadas a Família e a Realidade, a Escola e a Virtualidade são chamadas a assumir papéis que deveriam já estar ajustados a montante.
Posso cair no vício do descrecionismo, embora tentando adoptar uma postura estrutural: se começássemos pelo Behavieurismo, tínhamos o clássico "Comentário-Skinner", aquele que empurra, pelo estímulo positivo, e pune, pelo estímulo negativo. Isto pressuporia uma pedagogia e o esboço de uma didáctica: infelizmente, não traduz, na maioria das vezes, mais do uma das facetas da Maldade Humana, ou fisicamente falando, uma tentativa de introduzir Entropia em Sistemas geralmente próximos do Equilíbrio. Um dos piores desses exemplos é o caixote de lixo em que se converteram as interpelações dos textos de António Balbino Caldeira.
Nisso, Prigogine acaba por ser sarcástico, e, citando, à sua maneira, Poincaré, diz que, colocadas lado a lado, uma caixa cheia de gás, e uma outra vazia, e estabelecida a comunicação entre as duas, pela óbvia Dinâmica dos Fluídos, o gás da primeira tenderia para se escoar para a segunda, mas, sendo esta transferência regida pelos Movimentos Brownianos, uma vez estabelecido o equilíbrio, nada impediria que os gases acumulados na segunda caixa, por uma aleatoriedade do movimento, voltassem, num dado momento, a reunir-se todos na primeira caixa. Friamente questionado sobre o tempo necessário para esse fluxo, Prigogine associa-lhe "mais do que todo o tempo do Tempo(!)"...
Ora, nós, blogonautas da virtualidade fria, dispomos de tudo, menos da totalidade do Tempo. Vivemos mergulhados no Efémero, e não podemos permitir que as brechas abertas numa excelente estrutura por comentários erráticos possam levar todo o tempo do mundo a restabelecer um equilíbrio e harmonia necessários, e evidentes. Torna-se, pois, útil tentar categorizá-los, já que o identificá-los é, também, uma forma de os exocirzarmos.
Já identifiquei, pelo seu carácter óbvio, o estímulo positivo e o negativo. Eles dividem-se, depois, em diversos sub-tipos. Há o comentário exaltado, que leva a que suponhamos que o nosso texto desencadeou revoluções; temos o comentário erudito, que nos leva a crer que nos movemos numa irremediável menoridade literária e intelectual; reconhecemos o grito da maçada, do não-estou-nem-aí, que pressupõe um penar, desse leitor/a até a um tempo ainda mais longo do que o de Prigogine, para que pudéssemos ser... alguém; temos o comentário didáctico, que se solta de um teclado com pretensões e se esgota na mossa emocional que provoca; lemos o comentário da ameaça, que deixa pressupor, quando vamos para a cama, uma multidão de "jack-the-rippers", a perseguir-nos, mal a próxima manhã se levante; há a ofensa cobarde, que tende para semear a desmoralização; há a máxima vexatória, que incide sobre supostas deformidades físicas, intelectuais ou sociais; há o dedo acusatório do sei-tudo-sobre-ti, que mais não pretende do que semear o desânimo e a dúvida; há o comentário obsceno, que nos atirou para uma escatologia enformadora de um civismo da Cauda da Europa; há o intelectual, que nos faz perder, nas suas teias, as hipóteses sensatas, levantadas por um texto simples; há a meia linha erudita, que nos recorda nada termos lido, e a meia linha néscia, que nos faz pensar que lhe faria bem ter lido mais um pouco...; há a conciliadora, que parece vir em auxílio de um cenário de desordem, que a mesma mão pode ter criado, através da adopção de diferentes máscaras; há a agressão pura, nihilista, que deixa antever que não é só texto que deve ser destruído, mas o próprio espaço onde foi publicado, e, mais grave ainda, a própria mão que o escreveu.
Este não é mais do que um esboço de tipologias. Outros o melhorarão, Foi ditado ao sabor da pena e da emoção, na madrugada de 6 de Julho de 2008, com o país em plena agonia cultural e económica do triângulo Sócrates-Cavaco-Ferreira Leite. Nos últimos dias, cultivámos o humor, através dos disparates que nos foram aparecendo nas nossas próprias caixas de comentários. Muitas vezes, a aparente polifonia, não é mais do que a desagregação mental de uma única personagem. Como na Atmosfera, há os que passam dias inteiros a construir, e aqueles que, com uma só linha, um só gesto, ou um só pensamento, tendem para tentar destruir árduas horas de reflexão e trabalho. Devemos ter paciência e não excluir a Piedade. Por vezes, a maldade aparente esconde uma patologia; por vezes, o excesso de barulho, como escreveu um dos muitos fantasmas que, infaustamente, já povoou esta Net sem limites, "Nem tudo o que ostenta, faz alarido, parece, é. Às vezes, o ruído, o "bater de pratos", a indignação, correspondem ao desejo de esconder, de abafar - com muito, muito barulho - algo de absolutamente inaceitável."
É possível que sim, mas isso não nos diz qualquer respeito.
Este texto foi escrito ao sabor da pena, e gostaria de ter sido mais rigoroso na caracterização das tipologias que se comprometeu descrever. Falhou no que propunha. Todavia, como todos os esboços, é um desafio para que todos vocês, leitores, comentadores, e futuros teorizadores das coisas virtuais, o venham a poder melhorar.
Obrigado pela vossa atenção, nesta magnífica -- é, não é?... -- noite de Verão

4.7.08

Humanidade sem terrorismo

Tenho aqui defendido a lógica que assiste a movimentos nacionalistas e independentistas e a conveniência de serem tomadas medidas de diálogo e negociação que conduzam a soluções aceites pelas partes, evitando actos de violência que vitimem pessoas inocentes, além de destruírem recursos de toda a ordem, com prejuízo para o desenvolvimento de melhores condições de vida.

É agora notícia a libertação dos reféns das FARC, em que está incluída a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt detida na selva em péssimas condições durante seis anos e meio. Este movimento de guerrilha com quatro décadas de existência que, na sua origem teve ideais sociais e políticos que não conseguiu fazer vencer por métodos democráticos e que quis impor com custos para a população, transformou-se gradualmente numa máquina de violência e de raptos que lhe vale ser classificado como terrorista.

As ideologias e os ideais de justiça social são sempre respeitáveis, mas a violência que assume feições anti-humanitárias não deve merecer apoios. Temos que separar as pessoas e as suas ideias dos crimes contra inocentes, da «justiça» pelas próprias mãos, de forma brutal e desumana. Por isso, acho interessante o pequeno artigo de Ferreira Fernandes no DN, em que critica um site de propaganda de um partido que comentava a libertação de Ingrid Betancourt como a de "um membro da classe política dominante». E deixa a interrogação: «Cada um destes 230 «membros da classe política dominante" portuguesa (…), deveria perguntar a todos os colegas: "Merece algum de nós passar 2323 dias preso, no mato e acorrentado, só por ser democrata ?"»

Diz o jornalista que «a liberdade de expressão não foi inventada só para a gente de bem». Mas é preciso saber separar os valores do respeito pelas vidas humanas, dos interesses partidários. Se somos democratas devemos evitar impor as ideias com recurso à violência. O preceito ‘amai os outros como a vós mesmos’, obriga a reciprocidade para com os opostos (os outros).

3.7.08

IVA @ 2,4%, 3,6% e 7,6%!

Impossível? Existe na Europa e é a realidade quotidiana em alguns países. Evidentemente, em Portugal todos desconhecem: a impostura da corrupção política e a desinformação mal intencionada da cambada jornaleira escondem ciosamente a verdade, mantendo a população numa profunda ignorância. Tal como sobre outros assuntos. Scoops de alarves, porém, não faltam.

Os países com as taxas mais baixas de IVA são, todavia, os que fazem menos alarde e aqueles em que os seus cidadãos melhor vivem. As taxas de exemplo do título são praticadas num país conhecido como o mais ferozmente capitalista, a Suíça. A taxa de valor inferior é aplicada a todos os bens de primeira necessidade, como toda a alimentação e saúde. No entanto existe lá um provérbio pelo qual o povo se regula: «estado rico povo pobre, estado pobre povo rico». Praticamente, tudo se baseia de acordo com esse provérbio, impostos incluídos.

Se os governos dos países com melhor nível de vida e menos pobres conseguem governar sem défices, porque é que os governos portugueses não o conseguem, não obstante tanto roubarem? Sim, é de roubo que aqui se trata, pois que o dinheiro, como sabemos, não é aplicado no interesse da população, mas distribuído pelos corruptos, militantes, famílias e amigalhaços, os incompetentes que ocupam cargos de importância, impedindo assim o progresso do país. É do conhecimento geral. Será provavelmente por isso ou por outro motivo semelhante que os palhaços têm dado um tão grande espectáculo propagandista a propósito duma descida de 1% num imposto de 21%, que mais ridícula seria impossível. É mesmo de palhaço a gozar o pessoal. Como escreveu o Shakespeare, «too much ado about nothing». Discursos de vigaristas para tolos.

Enquanto todos os postos do Estado não forem postos a concurso para gente competente, a produtividade do Estado permanecerá negativa e o povo tem que pagá-la, assim como os desfalques produzidos pelo bando da canalha parasita e corrupta. Estes salteadores incompetentes e irresponsáveis roubam ordenados iguais ou superiores àqueles de que usufruem os seus homónimos competentes noutros países, ainda acrescidos de benesses e mantêm a população com ordenados três ou quatro vezes inferiores aos dos mesmos países.

1.7.08

JUNTA DE FREGUESIA DE AVEIRO, PAGA CONTAS DOS MUNÍCIPES...


Nem queria acreditar, quando ao ler a notícia enviada pelo meu amigo José Faria, do ZÉMAIATO, dando conta que uma simples junta de freguesia, no litoral norte, uma zona piscatória, nada mais nada menos que a Junta de freguesia da cidade de Aveiro, PAGA as contas dos seus munícipes em claras dificuldades face ao custo de vida que tem vindo a aumentar de dia para dia deixando várias famílias deste País em aflição e no desespero, pois a crise é geral, e não se vislumbra a curto prazo, situação benéfica para todos nós. Não importa se a autarquia é de direita, do centro ou da esquerda, importa este Homem / Mulher, que preside a esta edilidade, que está a cumprir escrupulosamente aquilo a que se propôs, que é SERVIR O POVO, o seu povo.

Seria tão bom, que um qualquer governante, com mais responsabilidades do que este no país, olhasse com os olhos de ver, e principalmente com o coração, e disso fizesse o seu modelo de actuação, em prol dos mais desfavorecidos. Infelizmente, casos destes serão raríssimos e de desfecho quase sempre triste, pois os poderosos que tudo ambicionam depressa o destronarão com uma qualquer cabala bem montada que deitará por terra este benfeitor.

Para terminar, e por que eu nunca me calo, é de viva voz que digo, BEM HAJA SR.(A) PRESIDENTE DA JUNTA DA CIDADE DE AVEIRO…
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