Reflorestação da Serra da Estrela num imbróglio
A Sociedade de Águas da Serra da Estrela (SASEL) do grupo Sumol promoveu em 2002 a campanha "Plante uma Árvore", com a finalidade de contribuir para a reflorestação da Serra que fora vítima de intensos incêndios.
Passados cinco anos, era suposto que estivessem arborizados cerca de 300 hectares, com 600.000 árvores, mas, segundo denúncia da Associação de Amigos da Serra da Estrela (ASE), conhecedora da área do Parque Natural, não é visível no terreno a reflorestação. A SASEL declara que tem pago as facturas aos viveiros, mas desconhecia esta situação. Porém, o que se apresenta muito estranho é que o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), parceiro neste programa de reflorestação das serras de Portugal, assume que não tem fiscalizado o projecto e, por isso, não pode afirmar com certeza, se existem e onde estão as árvores cedidas pela SASEL. Mas qual é o papel deste Instituto? Em que País estamos? Qual é o sentido das responsabilidades destes funcionários? Aproveitando esta incompetência e desleixo, há espertos que deram ao dinheiro um uso que lhes deve ser pessoalmente mais vantajoso, com prejuízo para a Natureza e a reflorestação da Serra.
O presidente da ASE, referiu ao JN que "há muito que andávamos desconfiados. O programa teve início em 2002 e cinco anos depois não são visíveis no terreno as plantações, que, pelos números divulgados pela SASEL, rondariam, no mínimo, 300 hectares. Uma dimensão que se faria notar na área total do parque, que ronda os 90 mil hectares e aos quais se têm de excluir 10 mil localizados no cimo da Serra onde não é possível arborizar".
Apesar de o director do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas Litoral Centro do ICNB, insistir que "esta é uma campanha importante para nós, que queremos credível e transparente", na prática, ninguém parece saber onde estão grande parte das árvores, pese o facto do ICNB ter a lista das entidades a quem concedeu créditos para poderem ir a viveiros adquirirem as plantas e a quem, mais tarde, a SASEL pagava as facturas, como atrás ficou dito.
Nos últimos anos a campanha passou a desenvolver-se numa base de confiança nas entidades intervenientes, pelo que o ICNB supunha ter havido a plantação de 475 mil árvores na Serra da Estrela, em mais de uma centena de locais. Mas não fiscalizou, não controlou, não sabe dar contas das suas responsabilidades.
O Grupo Sumol, detentor da marca Águas Serra da Estrela, afirma que, desde o início da campanha, foram "angariadas mais de 600 mil novas árvores que foram disponibilizadas para plantação ao Parque Natural da Serra da Estrela, nas edições de 2002 a 2004, e ao ICN, a partir de 2005", por estas serem as "entidades competentes pela identificação dos locais de reflorestação e selecção das espécies de árvores".
Esta situação anedótica, inaceitável num Estado gerido com normal competência, faz lembrar o que se passava com o controlo das actividades económicas antes de as três instituições que se atropelavam e se desculpavam uma com as outras serem extintas e dado lugar à ASEA.
As reformas prometidas pelo Governo têm um grande e difícil caminho a percorrer.
A Sociedade de Águas da Serra da Estrela (SASEL) do grupo Sumol promoveu em 2002 a campanha "Plante uma Árvore", com a finalidade de contribuir para a reflorestação da Serra que fora vítima de intensos incêndios.
Passados cinco anos, era suposto que estivessem arborizados cerca de 300 hectares, com 600.000 árvores, mas, segundo denúncia da Associação de Amigos da Serra da Estrela (ASE), conhecedora da área do Parque Natural, não é visível no terreno a reflorestação. A SASEL declara que tem pago as facturas aos viveiros, mas desconhecia esta situação. Porém, o que se apresenta muito estranho é que o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), parceiro neste programa de reflorestação das serras de Portugal, assume que não tem fiscalizado o projecto e, por isso, não pode afirmar com certeza, se existem e onde estão as árvores cedidas pela SASEL. Mas qual é o papel deste Instituto? Em que País estamos? Qual é o sentido das responsabilidades destes funcionários? Aproveitando esta incompetência e desleixo, há espertos que deram ao dinheiro um uso que lhes deve ser pessoalmente mais vantajoso, com prejuízo para a Natureza e a reflorestação da Serra.
O presidente da ASE, referiu ao JN que "há muito que andávamos desconfiados. O programa teve início em 2002 e cinco anos depois não são visíveis no terreno as plantações, que, pelos números divulgados pela SASEL, rondariam, no mínimo, 300 hectares. Uma dimensão que se faria notar na área total do parque, que ronda os 90 mil hectares e aos quais se têm de excluir 10 mil localizados no cimo da Serra onde não é possível arborizar".
Apesar de o director do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas Litoral Centro do ICNB, insistir que "esta é uma campanha importante para nós, que queremos credível e transparente", na prática, ninguém parece saber onde estão grande parte das árvores, pese o facto do ICNB ter a lista das entidades a quem concedeu créditos para poderem ir a viveiros adquirirem as plantas e a quem, mais tarde, a SASEL pagava as facturas, como atrás ficou dito.
Nos últimos anos a campanha passou a desenvolver-se numa base de confiança nas entidades intervenientes, pelo que o ICNB supunha ter havido a plantação de 475 mil árvores na Serra da Estrela, em mais de uma centena de locais. Mas não fiscalizou, não controlou, não sabe dar contas das suas responsabilidades.
O Grupo Sumol, detentor da marca Águas Serra da Estrela, afirma que, desde o início da campanha, foram "angariadas mais de 600 mil novas árvores que foram disponibilizadas para plantação ao Parque Natural da Serra da Estrela, nas edições de 2002 a 2004, e ao ICN, a partir de 2005", por estas serem as "entidades competentes pela identificação dos locais de reflorestação e selecção das espécies de árvores".
Esta situação anedótica, inaceitável num Estado gerido com normal competência, faz lembrar o que se passava com o controlo das actividades económicas antes de as três instituições que se atropelavam e se desculpavam uma com as outras serem extintas e dado lugar à ASEA.
As reformas prometidas pelo Governo têm um grande e difícil caminho a percorrer.

5 comentários:
“Em que País estamos?”
Mas estamos no país em que os políticos fazem o que querem, no país das oligarquias mafiosas parasitas. Uma vez recebido o voto, os eleitores que vão para o diabo.
“Qual é o sentido das responsabilidades destes funcionários?”
Desresponsabilizarem-se, seguindo o exemplo vindo das direcções-gerais ocupadas por parasitas corruptos em lugar de postos a concurso para indivíduos competentes e do exemplo vindo dos governantes que concebem leis para se desresponsabilizarem e aprovam a corrupção, permitindo-lhes nomear os seus wm lugar dos concursos.
“credível e transparente”
Isso é o que dizem os vendedores da banha da cobra.
“Confiamos na justiça”
Que há-de dizer quem não confia, mas que se serve dela e espera que a corrupção o proteja?
“Estado gerido com normal competência”
Nem são votados, são escolhidos. Por isso não têm legitimidade, conde a competência deixa de ser um requisito.
A apresentação deste artigo mostra a triste verdade. As perguntas parecem ser feitas com um estado de direito em mente, o que não é a realidade. O mundo real e o mundo irreal de mãos dadas.
Caro «Mentiroso»,
Como o amigo, que é perspicaz, já sabe, sou um utópico moderado, um optimista preocupado, e tenho sempre em mente o Estado de Direito que ambiciono para Portugal. Cada crítica que faço tem uma intenção didáctica ao estilo médico de fazer o diagnóstico, para depois aplicar a terapia adequada. Nesta passagem de uma a outra destas duas fases, defendo a utilização do métodos de planeamento a que me referi no post Teimoso, por me parecer ser a metodologia mis adequada para preparar uma escolha – decisão – em qualquer ramo do saber ou da gestão.
As perguntas que teve a amabilidade de salientar representam uma chamada de atenção para alguns pontos que os responsáveis devem ter em atenção nas suas cogitações (se foram capazes de raciocinar, com amor ao País) na análise de este e outros casos parecidos.
Infelizmente, deve haver muitos casos semelhantes por todo este rectângulo. Só se descobrem quando alguém com o sentido de cidadania mais desenvolvido levanta a lebre. Um papel muito importante dos blogs mais responsáveis, é ajudar o maior número de cidadãos a assumir o seu papel na «cidadania», fazer com que deixem de estar resignados e indiferentes a permitir que os vindouros tenham que emigrar logo que nascem, porque isto está a tornar-se inabitável.
Um abraço de amizade
A. João Soares
Esta foi difícil... Desde o início que participo nesta Campanha enviando rótulos, códigos de barras e, ultimamente, o número de identificação que consta nas tampas das garrafas/garrafões, na vã esperança que algumas das árvores fossem realmente plantadas. Já esperava que não fossem todas que publicitavam e que resultaram da angariação feita pelos consumidores mas nada...
Mesmo que mantenha a esperança neste país e, sempre que possível,faça por colaborar/participar/ajudar/divulgar, são notícias más demais nos últimos tempos...
Ficamos derrotados com tantos parasitas a destruirem/roubar à nossa volta...
:-(
Não é só a reflorestação que está num imbroglio. As empresas que deveriam estar a efectuar a limpeza das matas estão a abater árvores de grande porte (pinheiros, carvalhos) para possivelmente venderem a madeira. Isto acontece principalmente na estrada para o Poço do Inferno e na das Penhas Douradas, logo a seguir à pousada.
Está a haver uma efectiva desflorestação intencional da Serra, assim como acontece na Serra de Sintra.
Caros Amigos,
A resposta à pergunta do título ´é terrível. Custa-me aceitá-la: País de pessoas pouco sérias, ou mesmo de ladrões? Organismos estatais irresponsáveis em que os dirigentes apenas querem receber bons ordenados e benefícios sem procurarem merecê-los? Indiferença de todos a estes abusos?
Mas, ainda temos gente bem intencionada, com boa vontade de contribuir para as boas causas. Estas pessoas devem ser mais activas e controlar a utilização da sua colaboração e denunciar por todas as formas as desonestidades, as indiferenças, os desleixos. Portugal, que somos todos nós, precisa da actividade controladora de cada um de nós.
Não nos resignemos, utilizemos o direito a expressar a nossa indignação.
Abraços
AJS
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